domingo, 1 de janeiro de 2006

O partido, o militante e a utopia

Pretendo publicar nos próximos dias algumas considerações a respeito do PSB, do conceito de militância e da nossa utopia socialista. Hoje publico a primeira destas considerações. Qualquer comentário é bem-vindo, concordando ou discordando.


A nossa a utopia



Thomas More escreveu, em 1516, seu livro mais conhecido, que descreve um país imaginário, em uma ilha em um oceano não identificado, onde Rafael Hitlodeu foi parar após embarcar em uma das viagens com Américo Vespúcio. Utopia significa "um não-lugar, um lugar que não existe". Nós, socialistas do Partido Socialista Brasileiro, defendemos um país e um mundo diferente do que temos, e nesse sentido defendemos uma utopia.

Mas o ano de 2005 trouxe vários fatos, novos elementos antes sequer imaginados por nós e pela ampla maioria das organizações e partidos de esquerda. Jamais passou por qualquer cabeça que, após mais de 20 anos de ditadura militar, mortes, torturas, exílios, a esquerda, ao chegar pela primeira vez ao governo central do Brasil, fosse cometer os erros mais mesquinhos e condenáveis. Inimaginável pensar que lideranças expressivas, militantes com passado, com história, fossem enveredar pelo caminho da corrupção, do favorecimento pessoal, do "toma lá, dá cá" que sempre vigorou nos governos brasileiros.

Mas foi o que aconteceu. O que nos conduz a perguntar: que intenções reais têm essas pessoas, que até pouquíssimo tempo atrás estavam conosco no mesmo palanque? Elas querem construir a utopia? E se elas querem construir esse "lugar que não existe - ainda", como podem reproduzir todas aquelas coisas velhas que tanto criticamos?

Precisamos discutir isso com muita seriedade, pois é preocupante o fato de que, após tudo que ocorreu e foi divulgado, expressivas lideranças do Partido dos Trabalhadores ainda neguem o óbvio. O PT errou, e errou feio. Se não for capaz de reconhecer isso - e não interessa se houve mensalão, semanalão ou pagamento de diárias - provavelmente não poderemos mais caminhar juntos, sob pena de comprometer o nosso projeto utópico.



Nenhum comentário: