Reflexões. Apenas a minha opinião. Editado por Wladimir Crippa, do Secretariado Estadual do PCdoB catarinense. Este blog reúne ainda os arquivos dos blogs Página Vermelha e Página 40. Contatos pelo e-mail wladimir@wladimir.com.br
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Para onde irão nossos companheiros?
Presidente do PSB de Timbó entrega cargo
Descontente com os rumos tomados pela legenda nos últimos meses, o presidente do diretório municipal do PSB de Timbó, Sidney Reinhold, deixou o cargo e pediu desfiliação da sigla. Um dos motivos apontados por Reinhold foi a falta de apoio e as brigas internas.
- Nos tornamos uma sigla de oportunismo eleitoreiro - destacou.
Como é sabido, não faço mais parte do PSB. Militei no Partido Socialista Brasileiro de 1998 até outubro deste ano. Fiz parte da Executiva Municipal de Porto Alegre, fui Secretário de Juventude também na capital gaúcha (a JSB) e integrei, como Primeiro Secretário, a Executiva de Florianópolis.
Por isso, acompanho com tristeza o desenrolar dos fatos no PSB catarinense. Um partido que conta, ainda, com sinceros militantes socialistas, mas que, dirigidos por uma Executiva Estadual que "privatizou" o partido, vêem-se, a cada dia, em uma situação mais desconfortável.
Um partido que, aqui no Estado, não fez campanha para Lula; no 2º turno, somou-se à Luiz Henrique, Leonel Pavan e Jorge Bornhausen; e pra fechar com "chave de ouro", indicou para o melhor cargo que poderia obter no governo estadual (poderia, mas não vai) um fundador do PFL, ex-deputado estadual por este partido.
É uma lástima... mas lembro a estes companheiros que há, felizmente, outras alternativas sérias e de esquerda em nosso Estado.
Saudações revolucionárias e socialistas a todos estes bravos lutadores!
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
Vozes do PSB contra o reajuste do Parlaumento
Renato Casagrande concordou com a sugestão dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de fixar uma correção pelo índice da inflação. “Um aumento de 90,7% não pode ser aceito com naturalidade, nem pela sociedade nem por nós parlamentares. Com o mandato de segurança que nós impetramos e tivemos sucesso, esperamos que o Congresso seja coerente com o seu papel de representante do povo”, defendeu . Em relação ao pronunciamento do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), que disse que o reajuste seria fundamentado em cortes em torno de R$157 milhões, provenientes da redução de despesas com funcionários e de outras deliberações da Mesa, Casagrande insistiu que não se trata apenas de ajustes orçamentários, mas da credibilidade da Instituição.
“O salário proposto por uma decisão administrativa das duas Mesas, mesmo que possa ser enquadrada no orçamento, não se enquadra na política. O que o Congresso precisa é recuperar sua credibilidade. A questão maior que deve ser levada em conta é a representatividade que nós temos que ter junto à sociedade”, disse.
Liderança do PSB na Câmara dos Deputados
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
Nosso tempo (Carlos Drummond de Andrade)
Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
II
Este é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
Vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.
III
E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam.
Conheço bem esta casa,
pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
a sala grande conduz a quartos terríveis,
como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
conduz à copa de frutas ácidas,
ao claro jardim central, à água
que goteja e segreda
o incesto, a bênção, a partida,
conduz às celas fechadas, que contêm:
papéis?
crimes?
moedas?
o conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiador urbano,
ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
pessoas e coisas enigmáticas, contai,
capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da costureira, luto no braço, pombas, cães errântes, animais caçados, contai.
Tudo tão difícil depois que vos calastes...
E muitos de vós nunca se abriram.
IV
É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.
É tempo de cortinas pardas,
de céu neutro, política
na maçã, no santo, no gozo,
amor e desamor, cólera
branda, gim com água tônica,
olhos pintados,
dentes de vidro,
grotesca língua torcida.
A isso chamamos: balanço.
No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.
V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da tome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.
Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrado sem dor,
confiar-se ao que-bem-me-importa
do sono.
Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.
VI
Nos porões da família,
orquídeas e opções
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas.
Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.
VII
Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há. mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
Há o pranto no teatro,
no palco? no público? nas poltronas?
há sobretudo o pranto no teatro,
já tarde, já confuso,
ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
e secar ao sol, em poça amarga.
E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.
VIII
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
O que é isso companheiro?
Agora, ele encerra a semana afirmando que a ditadura no Brasil não foi tão dura como nos demais países. O que é isso companheiro!
Para completar, Lula ainda afirmou isso justamente no dia em que lembramos os 30 anos da chacina da Lapa, onde dirigentes do Comitê Central do PCdoB foram presos, torturados e mortos. E ainda disse isso ao inaugurar o Museu Honestino Guimarães, outro militante comunista da Ação Popular que até hoje é dado como "desaparecido".
Não sei onde Lula quer chegar com essas suas declarações. Até o momento, o que ele tem conseguido mostrar é que não conhece a história recente de nosso país; que desconhece aqueles que lutaram, deram suas vidas para que vivêssemos hoje em uma democracia, em um Estado de Direito, que possibilitou que ele, Lula, chegasse à presidência por duas vezes.
Lula, nós te reelegemos pra deixá-lo trabalhar, então, por favor, trabalhe mais e fale menos, com todo o respeito.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Esperemos
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
Pablo Neruda (Últimos Poemas)
Chegou o dia, morreu o tirano. É uma pena que tenha demorado tanto...
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Ainda tem dúvidas que o capitalismo precisa ser superado? Leia esta notícia abaixo
| Quase metade da riqueza do mundo está concentrada com 1% da população |
SÃO PAULO - Para sair da metade da população mundial que representa os mais pobres do planeta, é necessário um patrimônio líquido de aproximadamente US$ 2.200,00 por adulto na família.
A informação consta em estudo da Universidade das Nações Unidas, órgão da ONU, que foi divulgado nesta terça-feira (05).
Desigualdade de distribuição
De acordo com o levantamento, cerca de 40% de toda a riqueza global está concentrada nas mãos de 1% das pessoas consideradas ricas no planeta. Na outra ponta, a metade mais pobre da população mundial é dona de 1% da riqueza.
O estudo leva em consideração os principais componentes do local, como ativos e passivos financeiros, terra, prédios e outras propriedades, envolvendo todos os países do mundo.
Segundo o levantamento, em 2000, um casal precisava de um patrimônio de US$ 1 milhão para estar entre o 1% de mais ricos do mundo, grupo que reúne 37 milhões de pessoas.
Mais ricos estão na América do Norte
Apesar de que os países da América do Norte só possuem 6% da população adulta mundial, 34% da riqueza está concentrada na região. Em seguida, aparecem Europa e as nações mais desenvolvidas da Ásia e Pacífico, onde a população, junto com a América do Norte, soma 90% do total da riqueza global.
Por outro lado, a riqueza dos habitantes da África, China, Índia e outros países com menos investimentos da Ásia é consideravelmente menor na comparação com o tamanho da população.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Viva Chávez! Viva o povo venezuelano!
Hugo Chávez venceu as eleições de forma inquestionável. Nem mesmo o principal candidato derrotado ousou questionar o resultado. "Nós reconhecemos que hoje nos venceram", disse o candidato da direita Rosales.
Esta vitória tem um gosto especial, pois o empenho da Casa Branca em desestabilizar o governo venezuelano é público. Quem não recorda quando, por ocasião da tentativa de golpe, o governo estadunidense foi o primeiro a reconhecer o "novo" governo golpista?
Depois, houve a tentativa de revogar o mandato de Chávez através do plebiscito. Mais uma vez, de forma democrática, o povo decidiu que o presidente deveria continuar seu mandato até o final.
E agora, o coroamento e reconhecimento da política social que está sendo implementada na Venezuela, com a reeleição de Hugo Chávez.
A promesse, agora, é de aprofundar a revolução socialista e seguir combatendo o imperialismo norte-americano.
Vitória do povo, vitória da democracia, vitória do socialismo!
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
De Bolívar... a Lenin!
Da Terra do Fogo às Cordilheiras dos Andes, do Altiplano ao Mar del Plata, das selvas colombianas ao Amazonas, a América do Sul tem presenciado revoltas, rebeliões, mudanças e revoluções.
Após o período de ditaduras em quase todos os países, temos visto agora os oprimidos e perseguidos de ontem ocuparem, pela força do voto, da opção democrática da maioria de seus povos, os governos centrais de seus países.
O fracasso das políticas geridas em Washington é notório. Sua implementação só conseguiu gerar mais pobreza, mais desigualdade, e enfraquecer a força que poderia mudar esta situação, o Estado. Não fosse a resistência do movimento social, os danos poderiam ser quase irreversíveis.
Agora, com a vitória das forças populares no Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Bolívia, Venezuela, Nicarágua e, essa semana, no Equador, com o apoio e participação tambémde Cuba, o sonho bolivariano de uma América unida, solidária, forte, tem plenas condições de ser realizado. De forma democrática e pacífica, dentro da legalidade do Estado de Direito.
Mas ao mesmo tempo permaneçamos alertas, pois o império não assistirá de braços cruzados a libertação de todo um continente.
PS: para quem não entendeu, Lenin Moreno é o novo vice-presidente do Equador ;-)
domingo, 26 de novembro de 2006
Eu, etiqueta
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
O Partido e a Utopia
Comecei a militar muito cedo, com 16 anos, no Partido dos Trabalhadores. Naqueles meus jovens dias, em toda e qualquer oportunidade em que surgia alguma brecha, lá ia eu puxar algum assunto para falar do PT, do socialismo, da revolução, e, claro, pau na direita!
Eram tempos em que, até pelo tamanho do partido - o ano era 1986, quando o PT tinha apenas 6 anos de idade - toda a militância era voluntária e abnegada. Inexistiam sequer assessorias de gabinetes, pois não haviam parlamentares.
As reuniões partidárias aconteciam ora na casa de um companheiro, ora na casa de outro, regado a muito companheirismo e repartir dos sonhos de uma sociedade sem diferenças sociais, sem classes, sem preconceitos, um mundo de liberdade formado por homens e mulheres iguais.
O tempo foi passando, o partido foi crescendo, foi assumindo governos municipais, estaduais, elegendo dezenas de deputados, centenas de vereadores... as disputas nos encontros partidários (éramos tão companheiros que não fazíamos congressos, nos encontrávamos) passaram a ser, cada vez mais, agressivas, e mesmo desrespeitosas. A intolerância cresceu. E paramos de nos sentar para repartir a Utopia.
Foi por causa disso que, em 1998, me desfiliei do Partido dos Trabalhadores. A ideologia partidária não se refletia mais na práxis política. E por isso, perdeu o sentido continuar me lançando em um mar onde estavam naufragando nossos sonhos.
Mas há outros barcos e outros mares para navegar, e quem tem uma ideologia pra viver, não consegue ficar muito tempo longe do oceano.
Por essa razão retornei à atividade partidária no PSB do Rio Grande do Sul, uma seção estadual do PSB onde, acredito, a expressão companheirismo não é vazia e sem sentido - e que, é importante ressaltar, não apresenta absolutamente nenhuma semelhança com o PSB de Santa Catarina - razão pela qual não estou mais no Partido Socialista Brasileiro.
Como já escrevi antes, estou agora no Partido Comunista do Brasil, onde permanecerei até meus últimos dias, até porque, pelo que conheço do PCdoB e de sua octagenária história, é um partido que aprendeu muito com seus erros, de forma dialética, e por essa razão problemas que hoje vemos em outras organizações já foram superados no partido e criados os devidos mecanismos para impedir que ocorram novamente.
O partido precisa ser já, em certa medida, parte daquilo que ele projeta como sociedade futura. Se queremos construir uma sociedade sem discriminação de qualquer natureza, não pode haver discriminação no interior do partido; se defendemos uma sociedade democrática e com liberdade, é necessário haver a mais profunda democracia e liberdade nas instâncias partidárias; se queremos abolir os privilégios, não podem haver militantes privilegiados e outros não.
Esse é um dos desafios da esquerda de nosso tempo. Crescer, assumir parcelas de governo, de espaços estatais, mas ao mesmo tempo estar permanentemente se auto-avaliando e auto-criticando para saber se ainda somos os mesmos e vivemos ou se já nos tornamos como nossos pais...
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Da página 40 à página vermelha
Deixo muitos amigos no PSB, mas tenho certeza de que continuarei convivendo com aqueles que permanecerão nas lutas e movimentos sociais populares.
Agora é vida nova! É retomar a luta pela construção e consolidação de uma esquerda socialista em Florianópolis e Santa Catarina.
Muitos me perguntaram: mas você vai mesmo pro PCdoB? Ele não conseguiu nem ultrapassar a cláusula de barreira! A estes companheiros eu digo: o Partido Comunista foi fundado em 1922. Passou por muitas perseguições e ditaduras. Na maior parte de sua existência, esteve na ilegalidade. E sobreviveu a tudo isso. Vocês acreditam que não vá sobreviver a uma cláusula formal e antidemocrática? Eu tenho plena convicção que o PCdoB continuará a existir, com cláusula ou sem!
Outros ainda me diziam: mas Wladimir, você no PSB faz parte da direção, da Executiva da capital, vai ir pro PCdoB pra não ser nada lá? Meus amigos, vocês não imaginam como me sinto muito melhor sendo um filiado do PCdoB, do que sendo um dirigente do PSB. Neste momento, estou sendo honesto comigo! Estou onde deveria estar há muito tempo! Um partido que defende a construção de uma sociedade socialista, e que tem como perspectiva utópica (no sentido de um lugar que ainda não existe) uma sociedade sem classes sociais, sem explorados nem exploradores. Nesse sentido, não diria que sou e nem me sinto como um "nada"; pelo contrário, sinto que sou um "tudo" na medida em que me sinto em casa, na "casa do socialismo e da liberdade", como me disse o camarada Vinicius Puhl, companheiro de longa data.
Por último, surgiram ainda as perguntas que, por questão de amizade, não considerei ofensivas: o que você tá ganhando pra ir pro PCdoB? Ora, não é porque presenciamos diariamente no jogo político a prática do "toma lá, dá cá" que todos façam isso! Não ganhei nada e, mais importante ainda: não pedi nada. A única coisa que pedi, e já recebi, é um espaço partidário, um espaço para o fazer político, para a discussão, para a ação pensada e conjunta, e conjunta porque pensada.
Um espaço para construir uma nova sociedade, junto com homens e mulheres que também acreditam que a nossa utopia socialista pode e há de se tornar realidade.
Obrigado camaradas Paladini, Ângela, "Nanico", Stela, Volnei, Vinícius, e todos os que ainda não aprendi os nomes, por terem acolhido a mim e a minha companheira Rosa.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Essa parece ser uma grande necessidade do PSB nesse momento que nacionalmente computa o favorável resultado das urnas e que regionalmente encontra difulculdades para manter os ideais escritos no seu manifesto. Ao ultrapassar a clausula de barreira o PSB se vê alvo de muitos olhares, alguns destes futeis e ate podiamos dizer promiscuos. Quanto nosso Presidente Roberto Amaral anuncia que devemos crescer com qualidade, precisamos definir que tipo de qualidade é essa.
A atuação da base será primordial para que as propostas indecentes sejam colocadas para escanteio. Não podemos deixar que decisões somente da cúpula nos levem a perder mais quadros socialistas em detrimento de filiações capitalista sem ideologia que nos formou ate aqui. Queremos crescer sim. Queremos ter pretensão de chegarmos ao poder sim. Queremos trazer a justiça social para todos os brasileiros e devemos com isso construir um projeto de nação e não um projeto político individualista. Que os ideais de João Mangabeira, Roberto Amaral e outros tantos socialistas sejam a bandeira levantada pelo PSB que emerge das urnas e pode ser o pilar de uma sociedade com melhor distribuição de renda e o crescimento equalitário da nação. Esse é o nosso maior desafio e devemos construir isso com SOCIALISMO E LIBERDADE.
quinta-feira, 2 de novembro de 2006
Da página 40 à página 65
Deixo muitos amigos no PSB, mas tenho certeza de que continuarei convivendo com aqueles que permanecerão nas lutas e movimentos sociais populares.
Agora é vida nova! É retomar a luta pela construção e consolidação de uma esquerda socialista em Florianópolis e Santa Catarina.
Muitos me perguntaram: mas você vai mesmo pro PCdoB? Ele não conseguiu nem ultrapassar a cláusula de barreira! A estes companheiros eu digo: o Partido Comunista foi fundado em 1922. Passou por muitas perseguições e ditaduras. Na maior parte de sua existência, esteve na ilegalidade. E sobreviveu a tudo isso. Vocês acreditam que não vá sobreviver a uma cláusula formal e antidemocrática? Eu tenho plena convicção que o PCdoB continuará a existir, com cláusula ou sem!
Outros ainda me diziam: mas Wladimir, você no PSB faz parte da direção, da Executiva da capital, vai ir pro PCdoB pra não ser nada lá? Meus amigos, vocês não imaginam como me sinto muito melhor sendo um filiado do PCdoB, do que sendo um dirigente do PSB. Neste momento, estou sendo honesto comigo! Estou onde deveria estar há muito tempo! Um partido que defende a construção de uma sociedade socialista, e que tem como perspectiva utópica (no sentido de um lugar que ainda não existe) uma sociedade sem classes sociais, sem explorados nem exploradores. Nesse sentido, não diria que sou e nem me sinto como um "nada"; pelo contrário, sinto que sou um "tudo" na medida em que me sinto em casa, na "casa do socialismo e da liberdade", como me disse o camarada Vinicius Puhl, companheiro de longa data.
Por último, surgiram ainda as perguntas que, por questão de amizade, não considerei ofensivas: o que você tá ganhando pra ir pro PCdoB? Ora, não é porque presenciamos diariamente no jogo político a prática do "toma lá, dá cá" que todos façam isso! Não ganhei nada e, mais importante ainda: não pedi nada. A única coisa que pedi, e já recebi, é um espaço partidário, um espaço para o fazer político, para a discussão, para a ação pensada e conjunta, e conjunta porque pensada.
Um espaço para construir uma nova sociedade, junto com homens e mulheres que também acreditam que a nossa utopia socialista pode e há de se tornar realidade.
Obrigado camaradas Paladini, Ângela, "Nanico", Stela, Volnei, Vinícius, e todos os que ainda não aprendi os nomes, por terem acolhido a mim e a minha companheira Rosa.
domingo, 22 de outubro de 2006
Estou deixando, formalmente, o Partido Socialista Brasileiro. É uma decisão difícil de tomar, mas não me resta outra opção. O mais correto seria dizer que o PSB me deixou. Pode parecer estranho e talvez até pretensioso, mas é verdade. O PSB em Santa Catarina não representa absolutamente nada, nenhuma das razões que me levaram um dia, há vinte anos atrás, a me filiar ao pensamento de esquerda: companheirismo, solidariedade, ideologia, democracia, socialismo.
Estas palavras soam desgraçadamente estranhas dentro do PSB catarinense. O partido se constitui aqui em Santa Catarina em uma figura deformada do PSB nacional. Ocorreu um processo de privatização que aniquilou com o que restava da estrutura partidária. Hoje, temos uma executiva empresarial, formada por funcionários do presidente estadual. Uma direção que não discute política, que não organiza, que não promove o crescimento partidário, que não estimula a formação política. Que não possui nenhum vínculo com a esquerda e tampouco com a história do Partido Socialista Brasileiro.
Hoje, os objetivos do PSB são estranhos à causa socialista. Quando presenciamos, durante uma campanha eleitoral, o PSB apresentar um programa de governo encomendado, comprado, ao invés de construído através da discussão partidária, é porque realmente tudo vai muito mal. Quando presenciamos, pela imprensa, a negociação de cargos em uma aliança de direita, somos obrigados a concluir que restou de socialismo neste partido apenas uma palavra na sigla.
Quando acompanhamos pedidos de expulsão de companheiros que ainda acreditam no socialismo, pelo simples fato de discordarem da direção imposta ao PSB, é porque a chama do socialismo já se apagou neste partido.
Não há mais o que fazer no PSB. Tornou-se mera sigla, legenda de aluguel a ser negociada em eleições, em troca da obtenção de cargos e favorecimentos. Perdeu completamente seu rumo.
Acredito que um dia, no futuro, a direção nacional do Partido Socialista Brasileiro há de mudar essa situação. Certamente fará isso, quando a situação chegar a um ponto insuportável. Mas não estou disposto a esperar até este dia.
Vou dedicar o meu tempo, a minha vontade, minhas forças, na construção de um projeto democrático, popular, de esquerda e socialista para Santa Catarina. Afinal, a vida e a luta continuam!
Saudações socialistas,
Wladimir Crippa
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Manifesto em defesa do PSB em SC
Segue abaixo manifesto lançado pelo deputado Sérgio Godinho, o qual endosso plenamente.
Saudações Socialistas,
Wladimir Crippa
1º Secretário da Executiva do
PSB de Florianópolis
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O Partido Socialista Brasileiro encontra-se, em Santa Catarina, diante de um momento decisivo. Mais uma vez nosso nome, nossa sigla, nosso passado e nossa história estão sendo colocados a serviço de interesses estranhos à causa socialista. E dessa vez, além desses estranhos interesses, o Partido Socialista Brasileiro está sendo posto a serviço da direita e de suas oligarquias.
Sem consultar a militância socialista, o presidente estadual do PSB, Antonio Carlos Sontag, comprometeu o Partido ao declarar apoio ao candidato do PMDB-PFL-PSDB, Luis Henrique da Silveira. Este mesmo Luis Henrique que apóia e faz campanha, abertamente, para Geraldo Alckmin.
O Partido Socialista Brasileiro tem posição. Desde o primeiro turno apóia LULA para presidente. Por motivos desconhecidos, a candidatura de Sontag já não se empenhou na eleição de LULA desde o primeiro momento. E agora, no momento decisivo do segundo turno, além de não apoiar LULA, Sontag ainda declara apoio e voto em um candidato comprometido com o candidato do neoliberalismo e das privatizações, o candidato da direita, Luis Henrique.
Sontag tomou esta decisão à revelia das instâncias partidárias. Não realizou convocação formal da Executiva Estadual, não convocou o líder do PSB na Assembléia Legislativa, Deputado Sérgio Godinho; não realizou reunião do Diretório Estadual; não realizou um processo de consulta aos Diretórios Municipais, Vereadores e demais lideranças socialistas. Carece, portanto, de legitimidade política e, do ponto de vista da legalidade partidária, seus atos são nulos.
Diante destes fatos, só resta uma alternativa para aqueles que querem se manter coerentes com a história do PSB. Só resta uma alternativa para aqueles que não aceitam e não assistirão, calados, o PSB se transformar em mais um "bom negócio": resistir, lutar, indignar-se e se levantar contra esta tentativa de desvio dos compromissos históricos dos socialistas.
Por isso, o Deputado Sérgio Godinho, juntamente com dezenas de lideranças do PSB em todo o Estado, declara sua posição de apoio às candidaturas de AMIN para Governador de Santa Catarina, e reafirma o apoio à candidatura de LULA para Presidente.
O PP apóia LULA em praticamente todo o Brasil, e embora AMIN não tenha declarado abertamente apoio a LULA, sua candidatura não tem impedido aqueles filiados, lideranças e prefeitos do PP - e são muitos - de apoiar LULA. Além disso, sua candidatura não sustenta e não serve de palanque para Geraldo Alckmin - ao contrário da candidatura de Luis Henrique.
Por isso, a candidatura de AMIN é a que mais pode contribuir, objetivamente, para atingir o objetivo principal do Partido Socialista Brasileiro neste momento: a reeleição do Presidente LULA.
Conclamamos todos os dirigentes partidários, vereadores, lideranças populares, filiados que não concordam com esse posicionamento pessoal de Sontag que adotem e referendem a posição da maioria dissidente. Agora é a hora de fazermos ser ouvida a voz da militância socialista, dos dirigentes partidários, dos homens e mulheres que constróem, de fato, o PSB em Santa Catarina.
Deputado Sérgio Godinho, líder do PSB
terça-feira, 3 de outubro de 2006
A cláusula de barreira é uma barreira para a democracia
Na verdade ela não extingue aqueles partidos que não obtiverem pelo menos 5% dos votos válidos em todo o Brasil, e no mínimo 2% em 9 estados. Mas certamente ela cria dificuldades para a manutenção destes partidos, pois reduz drasticamente os recursos do fundo partidário e concede um tempo simbólico na TV, além de impedir que parlamentares destes partidos, em qualquer nível (vereador, deputado estadual ou federal) possam fazer parte de comissões.
A idéia, ao se adotar este mecanismo, seria acabar com as legendas de aluguel. Entratanto, a implementação da cláusula não assegura de maneira alguma que isso ocorrerá.
Se formos analisar, veremos que esta prática ocorre com mais intensidade justamente nos grandes partidos, onde conhecidos "figurões" filiam-se e desfiliam-se de acordo com o momento político - ou seria melhor dizer de acordo com o político do momento que esteja no executivo.
Assim, vemos um Delfim Neto trocar o PP pelo PMDB; um Itamar ora entrando, ora saindo no PMDB; um Garotinho pulando do PDT para o PSB, do PSB para o PMDB, do PMDB para... nem sei para onde ele pulou da última vez!
Já os partidos menores, em sua maioria, são justamente aqueles que apresentam uma maior identidade ideológica. Vejamos por exemplo o caso do PCdoB, que conseguiu obter 2% dos votos em 9 estados, mas pouco mais de 2% a nível nacional. Sabidamente trata-se de um partido ideológico, onde não vemos o aluguel da sigla. Entretanto, foi atingido pela cláusula.
O mesmo ocorre com o novo PSOL, que também não superou a cláusula, mas também não é uma sigla de aluguel. Ou o PPS, herdeiro do PCB, um partido com décadas de história, e que agora cai na vala comum dos partidos que seriam siglas de aluguel.
A cláusula de barreira dessa forma constitui-se como uma grande barreira para a democracia, dificultando o crescimento dos partidos ideológicos. O que precisa ser feito é uma grande reforma político-partidária, instituindo a fidelidade, o financiamento público de campanha, a perda de mandato para quem abandonar ou trocar de partido.
Aí sim estaremos caminhando para construir uma democracia real, com partidos reais.
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
O PODER A QUALQUER CUSTO
O que nossas cabeças não conseguem entender é o que leva a essa insanidade. ou será que foi orientado por alguem. Não é possível que para defender os seus projetos o PT chega a esse imoralidade. O partido ético que se orgulhava de sua democracia e transparencia, agora se utiliza de praticas condenaveis para alcançar o seu objetivo. Pena para todos aqueles que passaram mais de 16 anos lutam para ver Lula chegar lá, fiquem frustados com o rumo que tomo essa nossa luta. O mesmo caminho antes trilhado pelos membros da direita que sempre repudiamos, praticas imorais e ilegais. Fico ate mesmo desanimado quando vejo que o carismatico Lula esta cercado de pessoas de indole duvidosa. as pessoas são muito proxima do nosso Presidente. É claro que me anima a atitude tomada pelo meu partido no caso das sanguessugas, não deixou duvidas no ar e ainda indicou a expulsão de dois parlamentares envolvidos. Nosso Presidente faz diferente quando passa a mão na cabeça destes que querem o poder a qualquer custo.
saudações socialistas
Marcelo de Queiroz
Ética e Cidadania PSB-RJ
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
O ANALFABETO PARTIDÁRIO
Essa introdução usando texto do alemão BERTOLD BRECHT é para nos situarmos o qual prejuízo somos remetidos quando deixamos de raciocinar e nos levamos apenas pela emoção. E me pergunto como militantes do PSB podem ficar calados diante do estrago feito a legenda pelo poucos, as existentes sanguessugas em nossas bancadas. Será que não fica claro para todos que o grande esforço que começamos a desenvolver desde de 2005 para que nossa legenda ultrapasse a clausula da barreira, fica prejudicado pela maciça esposição que o nome do PSB sofre agora.
E aonde ficamos nós militantes nesse evento. Parados. Acompanhando inerte a nossa legenda ser alvitada. Não adianta só por a culpa no Gabeira. Não precisamos dar o exemplo em nossa casa e para evitar estragos maiores que possam comprometer o futuro de nossa legenda urge que as decisões dos foruns legais do partido sejam tomadas logo. Nossa resposta tem que ser imediata. Não podemos ser cumplices de quem, esquecendo dos compromissos do nosso partido com a ética, a dignidade e a justiça social lesa o patrimonio público e beneficia interesses particulares em detrimento do coletivo que é o objetivo da doutrina Socialista. Reage PSB temos dignidade e compromisso com o povo!
Marcelo de Queiroz
Ética e Cidadania PSB RJ
Deputado João Mendes de Jesus comunica o seu desligamento do PSB
Conforme já havia comentado outro dia, o Deputado João Mendes realmente saiu do PSB.
Leia a nota oficial dele no site do PSB: www.psbnacional.org.br/sexta-feira, 18 de agosto de 2006
"Todo partido tem que ter projeto próprio"
Muito boa a entrevista da companheira Erundina no site do PSB Nacional.
Ela defende que o PSB se afirme como uma alternativa socialista para o Brasil, inclusive passando por um processo de depuração, pois com a intenção de ultrapassar a cláusula de barreira vieram para o partido pessoas que não se encaixam em um perfil socialista.
Corajosa a companheira pra dizer isso hein! Mas ela está coberta de razão! É porreta! É socialista! É Erundina!
Leia a entrevista completa aqui: www.psbnacional.org.br/...
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Conselho de Ética do PSB examina processos instaurados contra deputados denunciados no relatório da CPMI
Até que enfim!
O PSB já deveria ter instaurado e examinado esses processos desde o primeiro instante que surgiram as denúncias.Mas tudo bem, antes tarde do que nunca.
E, claro, se nada for provado contra nossos deputados, devem ser absolvidos pelo partido.
Aliás, um dos citados, o deputado do RJ João Mendes de Jesus - que por sinal conheci pessoalmente, trabalhei com ele na Editora Gráfica Universal - logo que surgiram as denúncias abriu mão de concorrer à reeleição, e esta semana pediu desfiliação do PSB, segundo ele para não criar embaraços ao partido.
Uma atitude, no mínimo, digna. Espero sinceramente que ele não esteja envolvido.
Leia a notícia original no site do PSB: www.psbnacional.org.br/...
terça-feira, 15 de agosto de 2006
Deu no Globo: Lula elogia Roberto Amaral por ter defendido PSB
Admiro e respeito muito Fernando Gabeira. Um homem de coragem, com passado respeitável. Um lutador, que não fugiu do Brasil e lutou, pegando inclusive em armas, contra a ditadura. Graças a seus atos heróicos, livrou muitos outros socialistas e comunistas da tortura e da morte.
Mas Gabeira errou ao generalizar, e acusar o Partido Socialista Brasileiro de ter montado um esquema de corrupção. Algum parlamentar do PSB pode estar envolvido nesse esquema? Claro que pode! Não deveria, mas pode ter acontecido sim. Agora, acusar o PSB de ter pensado, planejado e executado esse esquema de corrupção, vai uma longa distância.
Não sou favorável à cassação de Gabeira. Pela sua história. Por saber que se trata, comprovadamente, de uma pessoa comprometida com as mudanças sociais.
Mas o PSB também não pode assistir calado a essas acusações. O ideal seria Gabeira assumir que generalizou, e reconhecer esse erro.
Leia a matéria no site do PSB: www.psbnacional.org.br/...
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Capiberibe lidera no Amapá
A justiça será feita nas urnas no Amapá. Capiberipe, que foi cassado baseado no testemunho de uma eleitora, que disse ter recebido vinte reais para votar nele para senador, sem nenhuma evidência, nenhuma prova, e, pior, sem mais nenhum testemunho de compra de voto. Apenas ela foi comprada!
Na verdade foi um caso patrocinado por Sarney, para tentar tirar Capiberibe da cena política. Mas o povo do Amapá conhece Capi, e eke agora lidera com quase 54% dos votos.
Enfim a justiça será feita!
Leia a matéria original no site do PSB: www.psbnacional.org.br/...
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Sanguessugas "socialistas"?!?
Mas o que quero comentar é a citação do envolvimento de parlamentares do PSB. Dos denunciados, um deles, que era candidato à reeleição, João Mendes de Jesus, bispo da Igreja Universal no Rio de Janeiro, e que inclusive conheci pessoalmente e até hoje ainda trocamos e-mails, era candidato à reeleição e após ser citado retirou sua candidatura.
Inocentes ou culpados, o mínimo que se poderia esperar da direção nacional do Partido Socialista seria a apuração imediata e, se comprovados os envolvimentos, o desligamento do partido.
Infelizmente até o momento a direção nacional não se posicionou a respeito dos fatos.
sábado, 10 de junho de 2006
Bruno Maranhão, o PT e o MLST
Presenciamos na última semana a grande polêmica gerada pelos atos do MLST no Congresso Nacional. É preciso condenar com veemência estes atos, por mais que se compreenda a importância e a necessidade da luta pela reforma agrária (aquela que Lula disse que resolveria com uma caneta tão logo fosse eleito presidente)
Infelizmente Lula não resolveu, e a violência no campo segue crescendo.
Em que pese o MLST tenha errado ao optar por este caminho, devemos continuar apoiando a justa luta pela terra e pelo fim do latifúndio. Muitos tentam usar este erro cometido por este movimento para jogar por água abaixo toda a luta legítima e história pela terra. Devemos dizer não a isso e a esses - pra variar, os velhos setores da direita que desde sempre governou nosso Brasil.
Mas o que quero comentar é o fato de, tão logo Bruno Maranhão ter sido identificado como o líder do movimento, e após sua prisão, ergueram-se dezenas de vozes no PT pedindo sua expulsão.
É mais um capítulo da série "PT, quem te viu, quem te ve"... triste capítulo. Para os deputados e dirigentes nacionais envolvidos no mensalão, não se viu uma voz a pedir expulsão. Os poucos que se afastaram, fizeram isso por vontade própria. Agora, os mesmos que calaram frente à corrupção são os primeiros a pedir a expulsão de um militante que, ainda que tenha equivocado, tem compromisso com a luta e com o socialismo.
É o novo PT, que ainda estou me empenhando para conseguir compreender...
Leia mais aqui no site do PT: www.pt.org.br/
quinta-feira, 18 de maio de 2006
PCC - e não é o Partido Comunista Chinês!
Como não escrevo desde o começo do mês, os assuntos acumularam-se. Pra não nadar contra a corrente, ou como se diz em Porto Alegre, se jogar contra um Viamão lotado, vou comentar um pouco a respeito da violência em São Paulo (principalmente em São Paulo).
Primeiramente, qualquer pessoa com dois neurônios há de concluir que isso iria ocorrer. Sim, pois juntar 1500 homens em um espaço onde cabem apenas 800, boa coisa não pode dar. Some-se a isto misturar "ladrões de galinha" com assassinos; estelionatários com traficantes; em resumo, presos "manés" com "profissionais", só poderia resultar em rebeliões.
Houve num primeiro momento uma grande comoção devido às execuções de policiais militares. Mas a pergunta que não quer calar é: quem fornece celulares aos detentos? quem recarrega as baterias destes aparelhos dentro do presídio? Sim, porque não creio que hajam tomadas em todas as celas.
Então temos uma situação onde os agentes penitenciários fornecem os meios que serão utilizados depois contra eles próprios ou seus colegas!
A PM precisa assumir que a falha inicial está nela e neste sistema!
Os presos devem continuar encarcerados, cumprir suas penas, mas tudo dentro da legalidade. E isso passa também por uma cadeia com condições. Não adianta "jogar" estas pessoas lá dentro, como se estivessem em um curral. O resultado já estamos vendo qual é...
Uma outra questão que me ocorre é a seguinte: e se os presos pudessem votar, será que o sistema penitenciário não estaria em melhores condições? Os que são contra dirão: mas se eles votarem vão eleger bandidos!! Se você acha isso, sugiro que dê uma analisada em nossos parlamentares...
sábado, 6 de maio de 2006
O operário em construção
O Operário em Construção
Vinicius de Moraes
“E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: — Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: — Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e
só a Ele servirás.”
(Lucas, Cap. V, versículos 5-8)
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
— Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão.
Pois além do que sabia
— Exercer a profissão —
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
— “Convençam-no” do contrário — Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro de seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
— Loucura! — Gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! — disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
domingo, 9 de abril de 2006
Votar em Lula de novo é um absurdo, diz Caetano
Muito interessantes as colocações feitas por Caetano.
Gosto muito dele, musicalmente falando, e também admiro o seu posicionamento político. Caetano não se deixa patrulhar. Nem pela direita, e muito menos pela esquerda.
A afirmação dele de que não votará em Lula novamente - de jeito nenhum, como fez questão de deixar claro - levanta a questão da relação do governo petista com a intelectualidade.
É sabido que o PT tem como uma de suas vertentes originárias a intelectualidade. Estes mesmos intelectuais, formadores de opinião, sempre acompanharam as posições petistas.
Mas os quase 4 anos de governo Lula serviram para distanciar a intelectualidade do PT. Hoje, ao invés de se ter um Caetano apoiando o governo, temos um José Sarney. Ao invés de um Gabeira, temos um Severino Cavalcanti.
O PT não tem demonstrado preocupação com isso. Afinal, Lula continua indo bem nas pesquisas. Talvez o bolsa-esmola realmente venha a funcionar. E talvez Lula venha até a ser eleito novamente.Mas fica a pergunta: para quê? Pra cumprir qual programa de governo?
Leia a declaração de Caetano aqui: noticias.terra.com.br/e...
sábado, 8 de abril de 2006
Cristina Almeida (PSB) enfrenta José Sarney no AP
Quem será que Lula vai apoiar?
Notícia original aqui: noticias.terra.com.br/e...
Lula segue na frente em pesquisa Datafolha
Mas ao mesmo tempo em que o povo reconhece a corrupção no governo, ainda mantém a preferência por Lula.
Seria uma reedição pela esquerda(?) da popular frase rouba mas faz(?)
Não sei se acho graça ou se choro...
Notícia original aqui: noticias.terra.com.br/e...
Datafolha: 76% acreditam em corrupção no governo
Pelo menos o povo está atento a tudo que se passa, acompanhando todos os casos e descasos feitos pelo governo Lula.
Leia a notícia original aqui: noticias.terra.com.br/e...
sexta-feira, 31 de março de 2006
A cláusula de barreira e as barreiras programáticas
Bom, vamos conhecer primeiro o texto da Lei que trata do assunto. Diz o artigo 12 da Lei 9096/95 o seguinte: "O partido político funciona, nas Casas Legislativas, por intermédio de uma bancada, que deve constituir suas lideranças de acordo com o estatuto do partido, as disposições regimentais das respectivas Casas e as normas desta Lei." Diz o artigo seguinte, o 13: "Tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas para as quais tenha elegido representante, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputados obtenha o apoio de, no mínimo, cinco por cento dos votos apurados, não computados os brancos e os nulos, distribuídos em, pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de dois por cento do total de cada um deles."
Nos interessa ainda conhecer o artigo 41, que diz: "O Tribunal Superior Eleitoral, dentro de cinco dias, a contar da data do depósito a que se refere o § 1º do artigo anterior, fará a respectiva distribuição aos órgãos nacionais dos partidos, obedecendo aos seguintes critérios:
I – um por cento do total do Fundo Partidário será destacado para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral;
II – noventa e nove por cento do total do Fundo Partidário serão distribuídos aos partidos que tenham preenchido as condições do art. 13, na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.
Continuando, lemos nos artigos 48 e 49 a questão de espaço nos meios de comunicação:
Art. 48. O partido registrado no Tribunal Superior Eleitoral que não atenda ao disposto no art. 13 tem assegurada a realização de um programa em cadeia nacional, em cada semestre, com a duração de dois minutos.
Art. 49. O partido que atenda ao disposto no art. 13 tem assegurado:
I – a realização de um programa, em cadeia nacional, e de um programa, em cadeia estadual, em cada semestre, com a duração de vinte minutos cada;
II – a utilização do tempo total de quarenta minutos, por semestre, para inserções de trinta segundos ou um minuto, nas redes nacionais, e de igual tempo nas emissoras estaduais.
A Lei é, com certeza, um empecilho e um retrocesso no campo democrático. Limitar a organização partidária não eliminará os partidos e siglas de aluguel. Aliás, os fatos nos mostram que os partidos que mais servem de sigla de aluguel são justamente os grandes. O PMDB é um bom exemplo disso. E justamente os partidos menores são os que têm demonstrado mais fidelidade a seus ideais programáticos, como bem demonstra o PCdoB.
Mas "dura lex sed lex" (a lei é dura, mas é a lei). Pode ser alterada, mas no momento está em vigor. É baseado nela que iremos para as eleições deste ano.
Se o PSB não superar a cláusula de barreira, o que irá ocorrer?
- Não terá bancadas nas Assembléias Legislativas e Congresso Nacional, ou seja, continuará tendo seus parlamentares, mas não terá direito a ter uma bancada;
- Receberá a sua quantia correspondente do Fundo Partidário, referente ao 1% que é dividido entre todos os partidos em partes iguais;
- Não receberá a sua parte correspondente do Fundo Partidário, referente aos 99% que é dividido proporcionalmente a cada partido;
- Terá direito a um programa em cadeia nacional por semestre, com a duração de dois minutos;
- Não terá direito a veicular dois programas por ano, um em cada semestre, com a duração de vinte minutos cada;
- Não poderá utilizar o tempo de 40 minutos por semestre, para inserções de trinta segundos ou um minuto, nas redes nacionais e estaduais de comunicação.
Podemos concluir que afirmar que o partido que não superar a cláusula de barreira será extinto é um exagero. Não atingir os 5% não extinguirá partido algum. Não influirá no funcionamento interno partidário. Não jogará nenhum partido na clandestinidade. Talvez o que possa ocorrer é uma dificuldade financeira para aqueles partidos que viciaram e se tornaram dependentes de recursos oficiais. Mas mesmo isto é uma possibilidade, pois em Santa Catarina, por exemplo, os recursos do fundo partidário para o PSB giravam em torno de 7 mil reais mensais, uma quantia absurdamente impossível de sustentar um trabalho político a nível estadual.
Se o partido desenvolver e aplicar uma política séria de finanças, ele se mantém independentemente dos recursos do fundo partidário. Afinal, temos 28 deputados federais, deputados estaduais, senadores, governadores, prefeitos, além da militância de base. Se não podemos contar com estes companheiros, então é questionável se devemos continuar existindo enquanto partido.
A questão de aparição na TV e nas rádios também afetará o partido, mas não do modo como muitos colocam. Afinal, sabemos que a maioria das pessoas não assiste aos programas partidários, ainda mais fora de períodos eleitorais. A visibilidade que um partido atinge não é resultado de sua aparição nos horários eleitorais. A visibilidade de um partido é resultado de sua atuação parlamentar, no Executivo, nos movimentos sociais. É resultado de uma política de propaganda partidária. É resultado do desenvolvimento de campanhas populares, nas ruas.
É importante o Partido Socialista superar a cláusula de barreira? Claro que é importante! Afinal, o mínimo que podemos esperar é ter pelo menos 5% do reconhecimento do eleitorado. Na verdade queremos muito mais, queremos eleger muitos deputados, prefeitos, governadores, pois ocupando espaços no Estado é que poderemos implementar nossas políticas públicas e parte de nosso programa partidário.
Mas o que não pode acontecer - e infelizmente parece estar acontecendo em alguns estados, e felizmente não é o caso de Santa Catarina - é em nome da superação da cláusula de barreira, romper-se as barreiras éticas, morais e programáticas. Não tem cabimento, por exemplo, o PSB aliar-se ao PSDB em São Paulo, como a imprensa tem noticiado. Ou apoiar Aécio Neves em Minas Gerais. Se estamos no governo Lula, como apoiar candidatos que são abertamente de oposição ao governo que fazemos parte?
Somente o oportunismo eleitoral poderia justificar uma postura desse tipo, de sermos situação no plano federal e coligar com a oposição nos estados. Tal comportamento seria uma traição ao programa partidário, e um ato de deslealdade com nosso aliado federal. Quem me conhece, sabe que tenho críticas ao governo Lula, e muitas. Mas se o PSB está no governo, então é necessário mantermos a coerência.
Por isso, só resta ao PSB adotar, para as próximas eleições, um destes dois caminhos: ou apoiamos Lula e indicamos o candidato a vice-presidente, ou lançamos nossa candidatura própria a presidente. São as únicas alternativas coerentes. Indicar o vice seria coerente, pois fazemos parte do governo e por isso nada mais justo do que reivindicar uma maior participação nas definições políticas. Ocupar a vice presidência se insere dentro desta lógica.
Lançar candidatura própria também tem sua coerência, pois se há verticalização, e em alguns estados temos nomes fortes na disputa, como no Amapá, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pernambuco e Ceará, a candidatura própria a presidente contribui no processo de fortalecimento destes candidatos do Partido Socialista.
Finalizando, gostaria de propor que nossa militância, nossos filiados, parlamentares, fossem chamados a dar sua opinião sobre esse importante momento da vida política nacional e da vida partidária. Isso poderia se dar na forma de realização de uma consulta plebiscitária aos filiados do Partido Socialista Brasileiro. Acredito que essa importante decisão precisa ser tomada pela ampla maioria do partido. Se for para acertar ou errar, que seja pelo menos um acerto ou erro coletivos.
Saudações socialistas,
Wladimir Crippa
1º Secretário PSB de Florianópolis - SC
sexta-feira, 24 de março de 2006
Nova sociedade com velho homem?
Fomos ensinados na tradição de esquerda a pensar assim: se é de esquerda, é bom; se é de direita, é mau. Mas a realidade nos mostra que essas idéias não correspondem aos fatos. Há muitos, infelizmente inúmeros casos de referências da esquerda que cometeram grandes crimes e injustiças contra outros companheiros e mesmo contra aqueles que eles buscavam representar, ou seja, o povo. Não quero me referir aqui à Stálin, ao Sendero Luminoso, às FARC, à Trótsky e a repressão aos marinheiros em Kronstadt, mas sim aos fatos que vemos no dia-a-dia da militância. Acredito que os pequenos gestos, as atitudes tomadas diariamente, refletem o verdadeiro caráter e a verdadeira ideologia daquele que a está praticando.
Não acredito que uma pessoa que, nas relações com seus companheiros de partido seja falso, minta, engane, quando estiver em uma posição partidária de direção ou em um posto de governo agirá de forma diferente; não creio que um marido que agrida sua esposa e filhos em casa, contribua de fato na construção de uma sociedade socialista; acho inconcebível, um absurdo, uma grande hipocrisia, um homem que se diga de esquerda e socialista pague uma garota de programa, que encontra-se nesta situação de ter que vender seu corpo justamente pelas mazelas do sistema econômico capitalista; assim como não há lógica em falar de emancipação do povo, e ao mesmo tempo não permitir que seus funcionários possam sequer se organizar em sindicatos e associações; falar em ética, em moral, e depois votar pela absolvição de deputado envolvido em corrupção; ou falar em sociedade democrática e não ouvir o que os filiados pensam, por exemplo, sobre apoiar a reeleição de Lula ou lançar candidato próprio a presidente.
Infelizmente, presenciamos estes fatos lamentáveis diariamente. Cometidos desde o filiado, o mais aguerrido militante, passando por nossos dirigentes e chegando até nossos parlamentares.
Che Guevara escreveu que no socialismo o homem deve desenvolver uma nova consciência, para poder avançar na construção da sociedade revolucionária. Che partia da compreensão de que não se pode chegar ao comunismo (sociedade sem classes sociais e sem desigualdades) apenas mediante o crescimento, o desenvolvimento e a nacionalização das forças produtivas. Ele afirmava que “para construir o comunismo, simultaneamente com a base material tem que se fazer o homem novo.”
E esta nova consciência, este novo homem, precisa ser construído já, hoje, agora! Não podemos esperar uma transformação da sociedade para que depois esta nova sociedade crie este novo homem. É o contrário! Precisamos contar com esta nova humanidade agora, para que possamos construir um novo mundo livre de todo preconceito, violência, imoralidade e falta de ética.
Ao final, você deve estar se perguntando: e você Wladimir, é assim? Eu respondo: não, infelizmente também cometo meus erros. Mas garanto a você que, após dar o primeiro passo, que é reconhecer que precisamos mudar primeiro para que o mundo mude, cada gesto que pratico é muito bem pensado antes de se tornar uma ação.
Wladimir Crippa
quinta-feira, 23 de março de 2006
Líder do PSB diz que o partido não deve fazer coligação para presidente da República
É a primeira manifestação de uma figura com visibilidade do PSB. E por isso adquire importância, ainda mais que vivemos um momento de grande indefinição no partido.
Acho inconcebível e, mais ainda, acho vergonhoso, o Partido Socialista ir para uma disputa presidencial com uma posição "em cima do muro". Sim, pois se o PSB não definir uma posição partidária a favor deste ou daquele candidato, ou definir esta posição de não ter um candidato oficial, presenciaremos alianças esdrúxulas por todo o país.
O PSB não pode se render ao casuísmo, ao eleitoralismo, ao fisiologismo, e adotar uma postura que permitirá coligar com gregos e troianos, tudo em nome da cláusula de barreira.
É necessário estabelecer uma "barreira" ética, moral, política e ideológica, para que o partido não perca seu norte, e condene seus princípios à morte.
Acredito que neste momento importante de nosso país, o Partido Socialista precisa ouvir seus filiados e militantes. Uma decisão como esta não pode ser tomada por uma dúzia de dirigentes, por mais capazes que estes sejam.
Não seria o caso de realizarmos um grande plebiscito para definir nossa posição?
Leia a declaração do deputado Paulo Baltazar aqui: www.psbnacional.org.br
terça-feira, 21 de março de 2006
Mulher que roubou manteiga tem liberdade negada. Enquanto isso, em Brasília...
Essa é uma daquelas notícias que você, ao ler, acha que é algum tipo de brincadeira. Infelizmente, não é. É o que ocorre no Brasil real, aquele onde vivem as pessoas de carne e osso, que trabalham e ganham uma miséria, ou estão desempregadas e se encontram abaixo da linha de desespero.
É uma vergonha o que presenciamos nos Três Poderes e seus Palácios. Juízes do Tribunal máximo do país a serviço de interesses do Palácio do Planalto; deputados absolvendo-se mutuamente; depoentes que são chamados a depor e não depõe.
Que país é este?
Que governo é este?
Que sonho é este que virou pesadelo?
Encerro esta postagem com a Carta à República, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
CARTA À REPÚBLICA
Milton Nascimento / Fernando Brant
Sim é verdade a vida é mais livre
O medo já não convive nas casas,
nos bares, nas ruas, com o povo daqui
E até dá pra pensar no futuro
E ver nossos filhos crescendo, sorrindo
Mas eu não posso esconder a amargura
Ao ver que o sonho anda pra trás
E a mentira voltou
Ou será mesmo que não nos deixara
A esperança que a gente carrega
É um sorvete em pleno sol
O que fizeram da nossa fé?
O que fizeram da nossa fé?
Eu briguei, apanhei, eu sofri, aprendi
Eu cantei, eu berrei, eu chorei, eu sorri
Eu saí pra sonhar meu país.
E foi tão bom não estava sozinho
A praça era a alegria sadia
O povo era senhor
E só uma voz numa só canção
E foi por ter posto a mão no futuro
Que no presente preciso ser duro
E eu não posso me acomodar
Quero um país melhor.
Precisa dizer mais alguma coisa?
Leia a notícia aqui:noticias.terra.com.br/b...
domingo, 19 de março de 2006
O Jogo Podre do Poder
Marcelo de Queiroz
Ética e Cidadania -RJ
quinta-feira, 16 de março de 2006
Uma idéia, uma bandeira, um objetivo e muita disposição
"Nada é impossível de Mudar "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."
Quanto a Brasília, uma força tarefa com uma única arma, o voto, podem modificar o quadro negro que outrora se desenhou e que parece ter chegado ao fim do poço. Digamos que nossa atitude pode dar lição em Brant e outros mensaleiros. A sociedade não pode mais aceitar que os políticos sejam altistas e utilizem o Carimbão com o próprio povo. Podemos sim mudar e para isso basta a idéia de exercer a cidadania, empunhar a bandeira da ética e ter como objetivo a depuração do parlamento brasileiro e arregaçar as mangas e com muita disposição irmos a luta!
Saudações Socialistas
Marcelo de Queiroz - RJ
quinta-feira, 9 de março de 2006
Carimbão carimba absolvição de Luisinho
8 de março de 2006. Dia Internacional da Mulher. Uma data importantíssima, que merece ser comemorada e vivida a cada dia do ano. Mas o 8 de março de 2006 não foi apenas o Dia Internacional da Mulher. Foi também o dia nacional da carimbada.
Neste dia, a Câmara dos Deputados julgou dois processos de cassação. Os processos dos deputados Roberto Brandt, do PFL de MG, e do Professor Luisinho, do PT paulista.
Na hora das defesas, o cheiro de pizza no ar. Deputado do PFL defendendo o deputado petista... deputado petista defendendo o PFL... o mundo ficou doido?
Pra completar esse samba do crioulo doido, entra sem pedir licença e sem ser convidado o deputado do PSB Givaldo Carimbão. Entra e sai em ardorosa defesa de Luisinho.
Não precisava Carimbão! Se você queria "ir dormir tranquilo", como disse, que votasse a favor do Luisinho, mas ficasse quieto.
Não, Carimbão queria mais. E assim o fez, envergonhando o Partido Socialista Brasileiro. Olha, no final das contas até que o Carimbão me deixou feliz. Sim, pois fiquei feliz em ver que muitos militantes do PSB se indignaram com esse fato, e expressaram sua indignação através da comunidade do PSB no Orkut.
Fiquei feliz também em ver, pasmem, que há socialistas no PSB! Socialistas de verdade! Gente que quer transformar o mundo! Gente que não pensa em governar por governar, sem sentido, sem cumprir programa, como Lula está fazendo.
Eu acredito que, apesar das dificuldades, das lutas internas que precisam ser travadas no interior do PSB, existe a possibilidade de construção de um campo de esquerda, democrático e de perfil radicalmente socialista dentro do PSB.
Vejo companheiros com este compromisso no Rio Grande do Sul, em muitas cidades de Santa Catarina, incluindo a capital Florianópolis, no Ceará, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, onde muitos se indignaram também com a possibilidade de Inocêncio ser vice de Eduardo Campos, em São Paulo, em Goiás, em Salvador, enfim, em muitos estados há uma resistência socialista.
Não vamos nos dispersar companheiros! Vamos construir este campo! Vamos usar a internet como ferramenta de organização, articulação, debate e intervenção no interior do Partido Socialista.saudações socialistas e libertárias!
Para acessar a comunidade do PSB no Orkut e ler as manifestações indignadas, clique aqui: www.orkut.com/CommMsgs....
segunda-feira, 6 de março de 2006
Fim da verticalização: e agora PSB?
A polêmica ainda persiste, pois o Congresso deverá promulgar nos próximos dias a Emenda Constitucional que altera esta norma. Mas certamente a confusão política e jurídica irá continuar.
O Partido Socialista Brasileiro tem reunião de sua Executiva Nacional nesta semana, para definir a sua participação nas próximas eleições. Fica claro pelo comportamente da direção nacional que o fim da verticalização interessava ao PSB, pois aí seria possível lançar nossos candidatos nos Estados onde temos mais chances de eleger, como Eduardo Campos em Pernambuco, Capiberibe no Amapá, Wilma de Farias no Rio Grande do Norte, e ao mesmo tempo apoiar Lula a nível nacional.
Mas com o fim da verticalização, se quisermos lançar nossos candidatos aos governos estaduais, só restam dois caminhos: ou lançamos um candidato do PSB a presidente, ou então apoiamos Lula e contamos com a boa vontade dos companheiros petistas em apoiar nossos candidatos em alguns estados.
Como se vê, a situação não ficou fácil para o PSB. E também complicou-se para o PT, que com o fim da verticalização verá a saída de partidos que poderiam a nível nacional ser aliados de uma candidatura Lula. O caso mais notório é o do PMDB, que agora deverá mesmo lançar candidato próprio. Mas há outros problemas práticos que surgirão. Vejamos o caso do PRB, partido do vice-presidente José Alencar e do bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal.
O PRB tende a apoiar Lula, e inclusive José Alencar, apesar de ter criticado Lula durante mais da metade do mandato, sonha em ser novamente o vice. Sem a verticalização, esse apoio poderia ocorrer. Mas com a verticalização, temos um quadro onde Crivella pode ser candidato a Governador do Rio de Janeiro. Mas o PT também deverá ter candidato no RJ. Como equacionar isso?
Em Santa Catarina o PSB estava costurando uma aliança com o PDT, PTB, PCdoB, PV, PL, PRB e PMN. Com a verticalização, esta aliança vai para o espaço.
Como vemos, o jogo já começou e ainda nem sabemos ao certo quais serão as regras.