quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Lênin desce aos infernos

Achei na internet, o autor é o Paulo Coelho. Muito engraçada ;-)

Lênin desce aos infernos

Depois de fazer a Revolução Russa, acabar com as diferenças de classes sociais e dedicar sua vida inteira ao comunismo, Lênin finalmente morre. Por ser ateu e ter perseguido os religiosos, termina sendo condenado ao inferno.

Ao chegar lá, descobre que a situação é pior que na Terra: os condenados são submetidos a sofrimentos incríveis, não há alimento para todos, os demônios são desorganizados, Satanás comporta-se como um rei absoluto - sem qualquer respeito por seus empregados ou pelas almas penadas que agüentam o suplício eterno.

Lênin, indignado, rebela-se contra a situação: organiza passeatas, faz protestos, cria sindicatos com diabos descontentes, incentiva rebeliões. Em pouco tempo, o inferno está de cabeça para baixo: ninguém respeita mais a autoridade de Satanás, os demônios pedem aumento de salário, as sessões de suplício ficam vazias, os encarregados de manter acesas as fornalhas fazem greve.

Satanás já não sabe o quer fazer: como seu reino pode continuar funcionando, se aquele rebelde está subvertendo todas as leis? Tenta um encontro com ele, mas Lênin, alegando não conversar com opressores, manda um recado através de um comitê popular, dizendo que não reconhece a autoridade do Chefe Supremo.

Desesperado, Satanás vai até o céu conversar com São Pedro.

- Vocês lembram aquele sujeito que fez a revolução russa? – diz Satanás.

- Lembramos muito bem – responde São Pedro. – Comunista. Odiava a religião.

- Ele é um bom homem – insiste Satanás. – Mesmo que tenha seus pecados, não merece o inferno; afinal, procurou lutar por um mundo mais justo! Na minha opinião, ele devia estar no céu.

São Pedro reflete algum tempo.

- Acho que você tem razão – diz finalmente. – Todos nós temos nossos pecados e eu mesmo cheguei a negar Cristo por três vezes. Mande ele para cá.

Louco de contentamento, Satanás volta para sua casa e envia Lênin direto para o céu. Em seguida, com mão de ferro e alguma violência, termina com os sindicatos de demônios, dissolve o comitê de almas descontentes, proíbe assembléias e manifestações de condenados.

O inferno volta a ser o famoso lugar dos tormentos que sempre assustou o homem. Louco de alegria, Satanás fica imaginando o que deve estar acontecendo no céu.

“Qualquer hora São Pedro vai estar batendo aqui, pedindo que Lênin retorne!“, ri consigo mesmo. “Aquele comunista deve ter transformado o paraíso em um lugar insuportável!”

O primeiro mês passa, um ano inteiro passa, e nenhuma notícia do céu. Morto de curiosidade, Satanás resolve ir até lá para ver o que está acontecendo.

Encontra São Pedro na porta do Paraíso.

- E aí, como vão as coisas? – pergunta.

- Muito bem – responde São Pedro.

- Mas está tudo mesmo em ordem?

- Claro! Por que não haveria de estar?

“Este cara deve estar fingindo”, pensa Satanás. “Vai querer me empurrar Lênin de volta”

- Escuta, São Pedro, aquele comunista que eu mandei, tem se comportado bem?

- Muito bem!

- Nenhuma anarquia?

- Pelo contrário. Os anjos são mais livres que nunca, as almas fazem o que bem desejam, os santos podem entrar e sair sem hora marcada.

- E Deus, não reclama deste excesso de liberdade?

São Pedro olha, com uma certa piedade, o pobre diabo a sua frente.

- Deus? Camarada, Deus não existe!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Que é isso Lula?!?


Não tem nenhum assessor com bom senso por perto do presidente Lula? Sim, porque em pleno 7 de setembro permitir que o presidente pose de garoto-propaganda de programa de TV norte-americano, é no mínimo ausência de massa encefálica. Assim é dose!!

Depois não querem que o César Valente meta umas alfinetadas no governo!

sábado, 8 de setembro de 2007

Guarde bem estes rostinhos


Os vereadores Gean Loureiro, João Batista Nunes, Deglaber Goulart, Walter da Luz, Alceu Nieckarz, João da Bega, Aloisio Piazza e Jair Miotto, conseguiram paralisar os trabalhos da Comissão Processante criada para investigar Dário Berger.

Olhe para para estas carinhas. Ano que vem eles estarão passando no seu bairro, na sua rua, na sua casa, cheios de promessas e pedindo o seu voto. Quando enxergar qualquer um deles, lembre-se de que eles estão tentando livrar a cara do prefeito Dário Berger, acusado de fazer parte do esquema de venda da nossa ilha de Florianópolis para os urubus da construção imobiliária.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

7 de setembro, dia da nossa independência!


Mais um 7 de setembro chega e já vai. Me lembro de ter "marchado" algumas vezes neste dia. Estava ainda no que se chamava antigamente de primário, ainda durante os governos militares (acho que já no período do presidente João Batista Figueiredo). O governo promovia naqueles dias grandes desfiles, enaltecendo a ordem e o progresso que estariam sendo proporcionados por eles.

A propaganda, é claro, era totalmente manipulada. Mas com certeza o sentimento nacionalista tinha uma ingenuidade verdadeira. Os militares, sabemos, são "criados" dentro desse sentimento nacionalista, que bem dosado é importante para a construção do sentimento de nação.

O ideal seria ver nosso povo sair 'as ruas para comemorar de fato nossa independência. Sair 'as ruas alegre, comemorando um país que consegue alimentar, vestir, alegrar, educar, cuidar da saúde de todos os seus filhos e filhas. Um país que sabe usar seus recursos naturais e gerar riquezas para serem distribuídas para a grande maioria que constrói o país de fato. Um país que tenha distribuído suas terras de forma equilibrada e justa, não deixando nenhum trabalhador/a rural desamparado. Um país soberano, desenvolvido tecnologicamente, fruto de grandes investimentos em ensino e pesquisa.

Certamente é um sonho. Mas nós, brasileiros e brasileiras, já mostramos que somos capazes de transformar nossos sonhos em realidade. Afinal elegemos Lula, contra todas as previsões e sem desistir de tentar. E se Lula não for capaz de tornar realidade aquilo que sonhamos, não duvidem que seremos capazes de eleger alguém que levará adiante nossas utopias.

A imagem utilizada é de um anúncio dos camaradas do PCdoB de São Francisco do Sul/SC, veiculada em jornal da região. Parabéns camaradas pela iniciativa!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

E o programa último emprego?

Pois é, existe uma dificuldade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho, mas uma hora, mais cedo ou um pouquinho mais tarde, eles conseguem. Mas e os idosos, que após décadas de serviços prestados, não conseguem mais encontrar oportunidades?

E nem precisa estar com 60 anos não!!! Passou dos 40 as dificuldades já começam. Muitas vezes o trabalhador/trabalhadora está quase para se aposentar, faltando 2, 3 anos, e é demitido. E pra conseguir outro emprego... é uma romaria!!!

Não seria o caso de se criar um programa "último emprego"? Não com esse nome, claro hehehehe!!!

E o programa primeiro emprego, enfim, foi sepultado

É, parece que o governo federal decidiu enterrar de vez o programa primeiro emprego. A idéia é boa, mas infelizmente não houve boa vontade por parte do empresariado. É muito mais vantajoso para uma empresa contratar estagiários do que empregar efetivamente um jovem.

Quando eu assessorava o vereador Hélio Corbellini (ex-PT, depois PSB e agora me parece que está no PPS), elaborei e apresentei a ele uma iniciativa semelhante, que oferecia redução no Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) às empresas que contratassem jovens pela primeira vez. A redução aumentava na medida em que mais vagas eram criadas. Isso foi em 1998, em Porto Alegre.

Na época a bancada do PT na Câmara de Vereadores não foi muito simpática à idéia. Depois saí do gabinete e de Porto Alegre e nem fiquei sabendo no que deu. Mas foi uma iniciativa pioneira, lançada 5 anos antes do PT apresentá-la em nível federal.

Para ler a triste notícia do enterro do programa, clique aqui.

sábado, 1 de setembro de 2007

O PT é o menos pior?

Parece que é assim que pensa o presidente Lula, ao afirmar neste segundo dia de Congresso do PT que o partido errou, mas mesmo assim nenhum outro partido tem os padrões éticos do Partido dos Trabalhadores. Ou em outras palavras, o PT é o menos pior dos que estão aí.

A questão é que o PT não deveria se contentar em ser o menos pior. O PT surgiu pra romper com toda a lógica estabelecida na política nacional, e não para ser o menos pior, mas ainda assim envolvido na mesma dinâmica.

Discurso aparentemente ofensivo, na verdade revela-se defensivo, pois admite os erros e tenta justificá-los. Oras, se o PT errou, se seus dirigentes foram corruptos, anti-éticos, imorais, o partido deveria ser o primeiro a puni-los exemplarmente, e não ficar nessa conversa mole de que "os culpados serão devidamente punidos pela justiça". A mesma justiça que o partido sempre criticou e nunca confiou.

Ou será que os companheiros estão apostando na impunidade?

Triste ver como a companheirada demonstra não ter aprendido nem apreendido nada com todos os lamentáveis episódios...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O STF e os 40...

É triste, lamentável, constrangedor, vergonhoso... mas infelizmente é a verdade, os fatos vindos à tona. E não adianta ficar acusando a Justiça de estar a serviço da direita, da mídia golpista, das forças reacionárias e blá, blá, blá.

Sabemos que a esquerda, em sua história, já foi capaz de realizar os mais infames gestos em nome do socialismo e da revolução. Não estou dizendo que esse foi um dos casos. Cito apenas para relembrar aos companheiros e camaradas que, sim, a esquerda erra!

Que haja ampla liberdade de defesa para os acusados, que todos os fatos venham à tona, e que paguem aqueles que devem. Como diz o ditado, "doa a quem doer".

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Gosta de ouvir música no pc?

Se você gosta de navegar ao som de alguma música, então aqui vai uma dica de site:

http://www.musicovery.com

Simplesmente a melhor rádio on-line da internet! Não acredita? Vai lá e depois me diga!!

A esquerda e a CPMF

O governo Lula quer aprovar no Congresso a prorrogação da cobrança da CPMF. Deveria encaminhar no mesmo projeto a mudança do significado do "P" para permanente, já que a danada parece ter vocação para vida eterna.

Historicamente, a posição da esquerda sempre foi contra os impostos indiretos, e a favor portanto dos impostos diretos. A máxima sempre foi "quem tem mais, paga mais". A CPMF é, nesse sentido, profundamente injusta, pois atinge a todos da mesma forma, cobrando o mesmo percentual.

Mas agora no governo, a esquerda não pensa na possibilidade de abrir mão de recursos para manter a máquina estatal. E até acredito que, a esta altura, de fato seria complicado abrir mão deles.

Mas o mínimo que poderia ser feito, para de fato fazer com que este imposto e estes recursos ajudem diretamente na vida cotidiana do nosso povo, seria fazer com que todos os recursos advindos da sua cobrança fossem aplicados integralmente no SUS. Não foi pra isso que a criaram?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quase como o Lula

Pois é, estou quase como nosso (?) governo, distante do cumprimento das promessas de campanha. Estou devendo semanas de atualização. Mas vamos lá, pra não dizer que não falei das flores, segue abaixo uma poesia que fiz por estes dias de agosto/desgosto.

Me leva

Me leva,
quero ir contigo,
estar do seu lado,
dissipar a escuridão

Me leva,
segurarei tua mão,
juntos, encontraremos uma razão,
e voltaremos a ser um coração

Me leva,
eu te acompanho nesse mundo,
juro, te ajudo,
a compreender e encontrar o que buscas
e permanecerei mudo
apenas ao teu lado

Sei que a busca é tua,
sei que tua alma anseia em
redescobrir-se, nua,
sem pai, nem mãe, nem filhos,
nem eu

Mas saibas que estou aqui,
pronto pra te ajudar a
eliminar as dúvidas,
encontrar novas,
fazer novas perguntas,
sem soprar as respostas

Saibas que a mim
tudo que fazes importa
Se estais triste, alegre,
feliz, frustrada, entediada,
nervosa, furiosa ou calma

A ti jamais fecharei a porta,
jamais serás uma qualquer,
jamais serás apenas mulher,
pois és simplesmente
a melhor parte do que sou

Por isso, se voce for,
me leva...

domingo, 17 de junho de 2007

Retornando...

Desculpem a ausencia camaradas (e esse meu teclado que insiste em não acentuar algumas palavras). Após um período turbulento em minha vida - que ainda não passou, mas agora já me permite respirar - estou retornando a escrever aqui no Página Vermelha.

Os meus poucos leitores devem ter me abandonado de vez, mas mesmo assim retomo as atividades. Vou até fazer umas incursões pelo terreno da poesia, quem sabe cativo novos leitores né?

um abraço!

Wladimir

segunda-feira, 30 de abril de 2007

César Maia e a sucessão no RJ

Interessante a análise de César Maia para as próximas eleições municipais do RJ. Ele já atribui um papel de protagonismo importante ao PCdoB, através da candidatura da camarada Jandira Feghali.

Abaixo reproduzo na íntegra.

O QUADRO SUCESSÓRIO PARA A PREFEITURA DO RIO!

01. Vários pré-candidatos começam a contratar pesquisas que possam respaldar as suas candidaturas e/ou oferecer informações sobre o quadro geral e seus adversários -dentro e fora de seus partidos.

02. O primeiro ponto é especular sobre quem serão os candidatos. Denise Frossard do PPS certamente até porque venceu ,com apoio do PFL, o primeiro turno da eleição para governador em 2006 na capital. Seu problema são aliados que possam agregar tempo a sua TV. O PFL - hoje Democratas- já informou que certa e garantidamente o numero 25 lançará seu candidato a prefeito.

03. Inevitavelmente o deputado Chico Alencar será candidato. Sua boa performance em 1996 é um bom antecedente. Sua performance decrescente para deputado em 2006 estimula também que reforce sua visibilidade agora. Também em seu caso a falta de tempo de TV é um problema que enfrenta. Sua candidatura tem uma nuance importante. Ela elimina as candidaturas de pré-candidatos que tem a mesma referência de voto, como o deputado Carlos Minc do PT e o ex-candidato a senador do PV, Alfredo Sirkis.

04. Com isso se chega ao PT. A hipótese com que os mais atentos analistas trabalham é da eliminação da candidatura Minc por Chico Alencar. Nesse quadro sobram dois candidatos: do deputado atual e ex-vereador Edson Santos e Wladimir Palmeira que foi candidato a governador em 2006. Wladimir tem insistido em sua candidatura dizendo que foi para o sacrifício em 2006 e se saiu bem. Sendo o nome de Edson Santos -que é o mais provável- o corte eleitoral que buscará será semelhante ao de Benedita, mas sem a base evangélica dessa. Ou seja: não apontará para as classes médias do Rio. Sonha com o apoio do PMDB o que será muito difícil com o nome do Edson Santos.

05. O PSDB vive uma disputa interna que começa em sua convenção municipal de agosto. Três nomes despontam: O deputado e ex-vice-governador e ex-candidato a governador, Luiz Paulo. O ex-deputado e atual secretário Eduardo Paes cuja performance na candidatura a governador em 2006 ficou muito aquém do que seus pares esperavam. Sua adesão pronta ao candidato
e atual governador Sergio Cabral não deixou boa imagem no PSDB. Ele é secretário geral do PSDB nacional e ninguém se lembra mais disso. E o deputado Otavio Leite em carreira ascendente e que hoje já é vice-líder do PSDB na câmara de deputados e suplente da CPI do Apagão Aéreo. Difícil se prever o que virá da convenção. Otavio e Luiz Paulo jogarão juntos.

06. O DEM -que tem a prefeitura do Rio, sabe que da posição de força e da capilaridade que tem, e conhecida a dinâmica de todos os governos do atual prefeito na segunda metade de suas administrações- e analisada todas as eleições que disputou, o DEM conta com um patamar natural de 20% que crescerá na medida do desempenho de seu candidato. Hoje seus pré-candidatos são os dois deputados federais cariocas, e alguns secretários. Todos sabem que quem sair será alavancado para os 20% de piso pela força do DEM no Rio. Mas nenhum deles hoje tem um numero expressivo em pesquisas, o que tende a tornar a decisão de caráter político, a menos que esta situação se altere.

07. Jandira Feghali do PCdoB decidiu aceitar a secretaria de economia em Niterói. Alguns acham que é para trabalhar a alternativa Rio ou Niterói. Outros acham que é pela proximidade do PCdoB com a Industria Naval. O problema maior que enfrenta é o insulto que cometeu à Igreja Católica com a entrada, em 2006, de um fiscal da justiça na sede da Cúria para fazer busca de material contra ela sobre o aborto. Ela cometeu o erro imperdoável de entrar numa legação estrangeira, de outro Estado, o do Vaticano, o que foi considerado inadmissível. Esse obstáculo é de muita importância pela proximidade com 2006. Ela também conta com muito pouco tempo de TV.

08. O senador Marcelo Crivela do PRB e da IURD, mantém-se num patamar importante entre os eleitores da capital. Algo perto dos 20%. Mas há a convicção de que independente de quem seja seu adversário, perderá para qualquer um no segundo turno. Dizem que pensa transferir seu titulo para São Gonçalo, o município com maior concentração de evangélicos do Estado do Rio,( mais de 50%). Mas ele -mesmo sabendo das dificuldades em tempo de TV- pode querer rolar sua visibilidade com vistas à re-eleição para o senado em 2010.

09. Finalmente o PMDB -sem nome majoritário na capital e dado o desgaste dos Garotinhos aí- analisa parcerias com o DEM e com o PT, ou no apoio a um nome amplo da sociedade civil. Mas sua estrutura interna de poder não permite antecipar a decisão, já que a convenção de junho de 2008 não tem uma maioria nítida. O governador Cabral poderá jogar um papel importante na decisão se seu governo naquele momento estiver num nível alto de aprovação. Sua tendência -hoje- é passar por 2008 como magistrado sem estressar suas relações políticas para nenhum lado.

10. O PDT pode marcar posição com o nome do deputado Brizola. Bom para ele mas não para o Partido. Há a possibilidade de um acordo em torno da frente formada na câmara de deputados com o PSB e PCdoB. Nesse caso apoiaria Jandira no Rio, o PSB em Caxias e Petrópolis e seria apoiado em Niterói e Campos. Essa possibilidade recolocaria o tempo de TV de Jandira em outro patamar.

11. Finalmente os demais partidos médios -PTB, PP e PR,( ex-PL), que com tempo de TV que tem, poderão negociar alianças pragmáticas que os reforcem para 2010.

12. As pesquisas dão a Denise uns 25%. A Crivella um pouco menos de 20%. A Jandira um pouco mais que 15%. Aos candidatos do PSDB e DEM e a Chico Alencar um pouco menos que 10%. E a Edson Santos um pouco menos que 5%. Grid de largada ainda em construção, portanto.

domingo, 25 de março de 2007

85 anos do Partido Comunista do Brasil


"Eles eram poucos e nem puderam cantar muito alto a Internacional naquela casa de Niterói em 1922. Mas cantaram e fundaram o partido.

Eles eram apenas nove. O jornalista Astrojildo, o contador Cordeiro, o gráfico Pimenta, o sapateiro José Elias, o vassoureiro Luís Peres, os alfaiates Cendon e Barbosa, o ferroviário Hermogênio e ainda o barbeiro Nequete, que citava Lênin a três por dois.

Em todo o país eles não eram mais de setenta. Sabiam pouco de marxismo mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela. Faz sessenta anos que isto aconteceu. O PCB* não se tornou o maior partido do Ocidente, nem mesmo do Brasil. Mas quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar dele. Ou estará mentindo."

Ferreira Gullar, por ocasião dos 60 anos do Partido Comunista do Brasil.

*PCB: na época a sigla era PCB, mas significava Partido Comunista do Brasil.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Não há Socialismo sem Feminismo

Ontem, dia 28 de fevereiro, foi o prazo final para o envio de textos para a Tribuna de Debates do site do PCdoB, criada para discutir a 1ª Conferência Nacional da Questão da Mulher. Cada militante poderia enviar até dois textos para contribuir com o debate, e, portanto, enviei ontem minha segunda colaboração.

Segue abaixo o texto enviado.

Saudações comunistas e feministas!


Não há Socialismo sem Feminismo


Pelo menos não da forma que eu imagino que deva ser o socialismo: com uma radical participação de todos, com o aprofundamento da democracia, a sua radicalização levada aos extremos; com a garantia dos serviços e direitos básicos para todos; com uma economia que garanta a todos uma renda digna, capaz de suprir as necessidades básicas objetivas e também os desejos subjetivos de cada um, e tantas outras mudanças que acalentamos em nossos sonhos sonhados por numerosas e generosas multidões de camaradas em todas as partes do
mundo.

Mas sabemos que o socialismo não se restringe a um sistema político e econômico. Ele é também uma revolução na moral, na ética, nos costumes, nas relações entre os homens, mulheres, jovens, crianças e idosos.

Esta revolução nos valores é vital para o processo revolucionário. O grau de consciência e compromisso da maioria com os novos valores - da solidariedade, do pacifismo, do compromisso ambiental, da intolerância com o racismo, com a discriminação por orientação sexual, de gênero, opção religiosa, enfim, qualquer tipo de preconceito – é que determinará em grande medida o sucesso da sociedade socialista.

Se no socialismo reproduzirmos os mesmos valores do capitalismo, podem ter certeza: o “novo” sistema não será de fato novo, e estará se condenando à sua superação.

Por isso saúdo como acertadíssima a decisão da direção nacional em tratar a questão da mulher como uma questão de partido. De todo o partido. Na tradição das organizações de esquerda, a questão da mulher sempre foi debatida somente por elas próprias. Como se fosse algo que não interessasse a todos (e de fato, para muitas das organizações não interessava mesmo). Muitas
vezes vimos a questão da mulher ser utilizada como um “atrativo” de determinado grupo, para atrair militantes para sua organização. Mas sem existir de fato um compromisso teórico e prático com a luta emancipacionista da mulher.

A necessidade de discutir as questões levantadas pelo movimento feminista se impõem hoje a nós, não apenas pela questão objetiva de que elas, hoje, são maioria em nosso país, têm um papel fundamental na economia nacional e, em muitos casos, são os pilares econômicos de suas famílias. Impõe-se discutir a questão da mulher porque queremos construir uma sociedade socialista junto com as mulheres. Queremos que elas sejam partícipes, desde a elaboração teórica e programática, até o desenvolvimento dos processos políticos. E os camaradas já pararam para imaginar a imensidão de novas militantes que estarão atuando no partido, nos sindicatos, nas associações, nas entidades estudantis, a partir do momento em que consigamos romper esta barreira e trazer todo este contingente para a luta política?

Uma revolução pode ser feita apenas pelos homens. A história dá exemplos disso. Claro que podemos citar dezenas de mulheres que tiveram papéis importantes nestes processos revolucionários. Mas se é verdade que podemos citar dezenas de mulheres, podemos também
citar centenas, milhares de homens. Quantas guerrilheiras haviam entre os liderados por Fidel, Che e Camilo? Além de Anita, que outra mulher lembramos no processo farroupilha? Não quero polemizar sobre esta questão, reconheço o valor destas mulheres. Mas o fato é que a atividade política sempre esteve dominada pelos homens. Isso de um modo geral, e de modo particular nas organizações de esquerda. Não que na direita elas tenham espaço. Longe disso! Mas é que na esquerda é onde esperaríamos que houvesse uma participação mais igualitária.

Embora eu creia que seja possível uma revolução ser dirigida majoritariamente pelos homens, não é isso que eu desejo. E sei que não é esse também o desejo dos camaradas. Não acredito em um processo que, no seu desenvolvimento, já exclua as mulheres, jovens, negros, depois de “vitorioso” vá reverter essa tendência e desembocar em uma sociedade de fato nova e
alicerçada nos novos valores.

Os meios, os caminhos escolhidos, determinam sim em grande medida como será o fim. E os fins, por mais generosos que sejam, não justificam os meios.

Por isso, estamos diante de uma discussão importantíssima. Ouso dizer que é a discussão mais
importante que estamos realizando neste ano. E que certamente irá requerer ainda mais debates entre nós.

Hegel disse que nada de grandioso se faz sem a paixão. Se esta afirmação é válida para os projetos políticos, mais válido ainda é combinarmos esta paixão pela revolução com a paixão por nossas camaradas e, juntos, lutarmos apaixonadamente pela construção da nossa utopia.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Há várias formas de matar uma criança

“Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri’’

Chico Buarque

Maria Cláudia Cabral*

Nas últimas semanas muito se falou em violência urbana, diminuição da maioridade penal, crimes hediondos. Muito se falou da morte brutal de João Hélio, a criança de seis anos que foi arrastada por “monstros desalmados”. A violência do fato foi descrita com riqueza de detalhes, provocando indignação, condolências e revolta.

O povo bradou na rua por justiça, e mais de uma mãe chorou...

Mas há várias formas de matar uma criança. Formas silenciosas e lentas, maneiras diversas de se extirpar toda a inocência, a espontaneidade e a doçura desse ser delicado e frágil.

Freqüentemente elas são mortas ainda no berço, por asfixia afetiva. Outras, um pouco todos os dias, quando vêem na soleira da porta de casa um cadáver crivado de balas, expostas à violência das ruas e dos bêbados e ao assédio dos traficantes – geralmente seus heróis prediletos. Morrem quando, para colocar comida na mesa, suas mães têm de sair para trabalhar, deixando-as à própria sorte dia após dia. A ausência de um pai ou a presença de padrasto bêbado, que não raras vezes lhes arranca a infância por meio do abuso sexual, também é responsável por sua morte. Cenas da mãe violentada ou agredida bem diante de seus olhinhos já não tão infantis pouco a pouco vão matando sua infância. Muitas vezes também o uso do álcool, das drogas e do cigarro lhes tira a inocência.

É por essas e outras que temos nos acostumado a ver, nos sinais dos grandes centros urbanos, adultos de cinco anos de idade. Crianças mortas na calada dos dias que passam por nós sem fazer parte de nossas vidas. Essas mortes não contam, elas são silenciosas e não incomodam o sacrossanto cinema de domingo. Acostumamo-nos a elas. Para nos comover, a morte precisa ser sangrenta, violenta, precisa fazer barulho. Tem de provocar clamor social. A morte silenciosa e lenta das crianças abandonadas, destruídas pela miséria, pela ignorância, pelas drogas legais e ilegais não provoca clamor social, não nos indigna. Passamos por ela todos os dias com indiferença. Talvez não percebamos porque, embora aconteça em nossa cidade, não ocorre em nosso bairro ou em nossa rua. É mais fácil notar a morte apoteótica de uma de nossas crianças. As outras não sentem dor, as outras são bichinhos remelentos no semáforo, nas ruas, nas praças. Só as notamos quando arrastam um dos nossos por sete quilômetros, e, nesse instante, as chamamos de monstros.

Ainda assim, preferimos clamar por penas mais duras a olhar para nossa omissão cotidiana. Preferimos atitudes de forte efeito midiático, que mascaram o caos em que nossa sociedade se encontra e que nos deixam com a sensação de que fizemos nossa parte.

Sejamos honestos. Com o sistema prisional que temos, será que alterar o Código Penal, aumentar o período de prisão e diminuir a maioridade penal são soluções? Digo-lhes que provavelmente não. Na Alemanha, embora exista pena de prisão perpétua, um apenado não pode permanecer encarcerado além de quinze anos – metade do prazo máximo previsto no Código brasileiro – e a violência urbana naquele país não alcança os índices que o Brasil atinge. Então, pergunto: é uma questão de penas mais longas?

Queremos combater a violência ou afastá-la do campo de visão? É isso que fazemos com os filhos rebeldes que temos? Banimos do convívio social para que os vizinhos não os vejam? Para que não tenhamos de encarar nossa incapacidade de lidar com eles? É mais cômodo colocar os filhos rebeldes da pátria-mãe gentil encarcerados, excluídos do convívio social, amontoados em presídios fétidos, longe do olhar dos cidadãos de bem. Assim, afastamos o incômodo que nos causa a omissão cotidiana de todos nós. É necessário cuidado, nossa omissão tem matado crianças todos os dias. Ao afastá-las do convívio social saudável, matamos o resto de humanidade que ainda lhes resta, novamente de forma lenta e cruel.

Quando já não for mais possível arcar com os custos de manutenção dos apenados nos presídios, as bandeiras da pena de morte mais uma vez serão levantadas. E nós, cidadãos de bem, compactuaremos, então, com o assassínio daqueles que não se “enquadraram”, daqueles que não se adaptaram às regras. Destruindo em nós o resto de humanidade que nos resta.

Senhores, não há que se fazer reforma na legislação penal, há que se repensar o sistema de justiça penal no país, reconstruir. Mais que isso, urge diminuir as desigualdades sociais, força motriz da violência. É chegada a hora de pararmos de anestesiar a dor de perdas pontuais cuidando de sintomas e encararmos as causas dos males que nos afligem. Certamente será mais doloroso e lento, mas trará resultados duradouros. Quem sabe assim, nossos netos possam brincar nas ruas e nas praças sem risco de morte.


“...A nós ser humanos só foi dada essa maldita capacidade: transformar amor em nada’’
Paulo Leminsky

*Maria Cláudia Cabral é advogada, especialista em direito público e cooperação jurídica internacional

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Ser ou não ser ecossocialista? Eis a questão (de sobrevivência)

Cada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. Partindo dessas premissas, podemos concluir que as lutas sociais prescindem de lutas ambientais já que buscam o mesmo objetivo: a sadia qualidade de vida de todos.

Ana Echevenguá


Ser ou não ser Ecossocialista? Eis a questão (de sobrevivência)

Ana Echevenguá*

Embora a palavra 'Ecossocialismo' possa parecer inusitada, já a vivenciamos em nossas atividades mais comuns.

Acautelem-se os capitalistas de plantão: eu posso explicar!

Cada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. Partindo dessas premissas, podemos concluir que as lutas sociais prescindem de lutas ambientais já que buscam o mesmo objetivo: a sadia qualidade de vida de todos.

Ecologista não é somente aquele que luta para defender a baleia franca, o sapo da Juréia ou Amazônia. Também se enquadra nesse grupo o que briga contra a fila do SUS e dos bancos, por praias limpas, pela proteção de áreas verdes, contra administradores públicos corruptos...

O desastre anunciado

Já há provas visíveis de que estamos destruindo a natureza que nos cerca. Isso comprova o que os ecochatos alardeiam desde o século passado: o homem está se matando ao matar o planeta.

De que provas falamos? Entre elas estão as tempestades tropicais que já assolaram várias regiões do mundo, resultantes do aquecimento global do planeta e das águas oceânicas.

Especialistas que tentam estabelecer prazo de carência para a destruição das espécies são unânimes em pregar a urgência para adoção de medidas que contenham a reiterada degradação ambiental que nos cerca.

As medidas até agora apresentadas são paliativas. Uma delas é o acordo denominado Protocolo de Kyoto cujo propósito é estabilizar o efeito estufa dentro de 10 ou 15 anos, com base no "mercado de carbono" ou "mercado do direito de poluir". Os países mais ricos podem dar continuidade às suas ações poluidoras - que não se restringe à sua base territorial - desde que comprem dos países pobres créditos de carbono.
Como se trata de um 'acordo de cavalheiros', adere a ele quem quer. Os Estados Unidos, país mais poluidor do mundo, ainda não o assinou porque entende que prejudicará sua economia.

Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos no governo de Bill Clinton (1993-2001), é um americano que critica a política capitalista americana. E continua sendo tratado como um visionário quando expõe a sua verdade inconveniente. Em seu livro e documentário do mesmo nome, mostra como o 'efeito estufa' está degelando as zonas glaciais e alterando o nível do mar que irá inundar cidades costeiras.

Mas quem não acredita em Papai Noel sabe que tanto o capitalismo como as experiências socialistas mundiais foram ecologicamente negativas também quanto ao trabalho como às formas de produção.
Mas estas experiências devem ser lembradas e estudadas como um caminho que não devemos seguir. "Nunc bene navigavi, cum naufragium feci", ou seja, "Há males que vêm por bem".

O Ecossocialismo

Não nos restam muitas alternativas para o enfrentamento da degradação ambiental. Ou descruzamos os braços e implementamos soluções práticas ou vamos morrer.

E uma das soluções pode ser a prática consciente do Ecossocialismo, uma corrente de pensamento que mescla algumas idéias socialistas sobre a lógica do capital com os avanços científicos da ciência ecológica. Marx deu ênfase à questão da ecologia ao afirmar, em O Capital, que o sistema capitalista esgota as forças do trabalhador e, em decorrência, as forças da Terra.

"O mundo de daqui a cinco décadas simplesmente não pode ser mantido com os atuais padrões de produção e consumo". "Uma ampla transformação - começando nos países ricos - será necessária para assegurar que os pobres tenham a oportunidade de participar e que o meio ambiente não seja danificado de uma forma que arruíne gradualmente as oportunidades do futuro." Estas palavras não foram extraídas de O Capital. Foram proferidas por Nicholas Stern, economista inglês, ex-economista-chefe do Banco Mundial, autor do "Relatório Stern" que afirma que o prejuízo com o aquecimento do planeta é muito maior do que se imagina. E faz um alerta urgente: "É preciso agir agora".


Quais os desdobramentos sociais e econômicos do Ecossocialismo?

As lutas com características ecossociais já grassam no nosso cotidiano. Elas ocorrem sempre que:

- a sociedade civil organizada investe contra indústrias poluidoras;
- o usuário do transporte coletivo exige que este serviço seja mais eficiente e barato: ele está também exigindo a redução da poluição do ar e sonora;
- o contribuinte exige implantação dos serviços de saneamento básico: ele sabe que o uso da água não tratada e a falta de tratamento de esgoto podem matar seu filho.

Assim como no romance 'O nome da rosa', de Umberto Eco, não devemos nos ater à problemática nominalista (capitalismo, bushismo, marxismo, socialismo, globalização, ...) que padece de qualquer importância quando estamos falando da sobrevivência do homem na Terra.


Soluções práticas

Se a proposta do Protocolo de Kyoto é insuficiente para conter o aquecimento global, o que nós - cidadãos comuns - podemos fazer?

Segundo o renomado engenheiro Thomas Fendel, podemos começar "incentivando e investindo em novas fontes de energia, especialmente as renováveis, bioenergias, energia solar, eólica, injeção de energia elétrica nas redes (ENEREDE)... Há provas irrefutáveis de que as atuais fontes de energia - fósseis e atômica - são nocivas e perigosas. As energias fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral) aumentam a concentração de CO2 atmosférico, promovendo o efeito estufa, enquanto as bioenergias (álcool, biogás, carvão vegetal, óleo vegetal, resíduos vegetais, lixo orgânico, etc) fazem exatamente o contrário, ou seja, promovem o efeito refrigerador, pois os correspondentes vegetais "comem" muito mais CO2 atmosférico do que o devolvido pelo uso das bioenergias".

Como o consumidor está priorizando adquirir produtos de empresas socialmente responsáveis, será fácil convencer os capitalistas que a prática do desenvolvimento sustentável é capaz de produzir lucro na hora da venda.

Esta é apenas uma das soluções.

Sem utopias, é preciso começar a implantar outras ações também salutares.

Mas não podemos proibir enchentes por decreto!!! Toda esta mudança carece da conscientização de que:

- precisamos agir agora porque, com esta crise que assola o planeta, a nossa geração e a geração dos nossos filhos e netos corre risco de vida;

- e que toda a luta - por menor que seja - é válida; ela pode começar na sua rua, no seu bairro, na sua cidade. Por exemplo, um diagnóstico ambiental pequeno que mostre como está o tratamento do lixo; quantas empresas poluidoras estão ativas na sua cidade; como está o tratamento do esgoto doméstico; quanta área verde ainda lhe resta?

* advogada ambientalista, coordenadora estadual do PSB Mulher/SC, coordenadora do programa televisivo Eco&Ação - Ecologia e Responsabilidade, e-mail: ana@ecoeacao.com.br

domingo, 18 de fevereiro de 2007

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Lançada a 1ª Conferência sobre a questão da Mulher em Santa Catarina



Na noite de sexta-feira, dia 9 de fevereiro, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Florianópolis, o Partido Comunista do Brasil lançou o processo de discussão de sua 1ª Conferência sobre a questão da Mulher.

A Conferência Nacional ocorrerá no final de março, mas antes ocorrerão as etapas municipais e estaduais, que elegerão delegadas e delegados ao encontro nacional.

Participei do lançamento, e na ocasião fiz uma intervenção ressaltando os seguintes pontos:

  1. o acerto do PCdoB em tornar esta discussão uma questão de partido. Na tradição da esquerda, as mulheres sempre se reuniram e discutiram de forma separada a problemática feminista. Ao optar por realizar este debate pelo conjunto do partido, a questão envolverá obrigatoriamente todo o coletivo;
  2. a necessidade de trazer as mulheres para a luta pelo socialismo se impõem, não apenas porque queremos estar lutando ao lado delas pelas transformações sociais, mas também porque do ponto de vista numérico (as mulheres são maioria no país) e pela sua participação na economia do Brasil, a participação delas no processo revolucionário é estratégica;
  3. afirmei que é possível ocorrer um processo revolucionário socialista sem as mulheres. Afirmo isso porque, na história das revoluções, de um modo geral a mulher não esteve à frente. Vide os casos da China, de Cuba, Vietnam, Angola, Moçambique, e mesmo na Rússia. Houveram lideranças mulheres? Sim. Mas numa desproporção descomunal em relação aos homens. Agora, seria um processo ideal? Claro que não! Acredito que, se durante o processo não se garante a participação das mulheres, que garantias teremos que após sua vitória isto ocorrerá?
  4. é necessário combater firmemente o machismo entre os militantes da esquerda. Não é admissível um militante comunista "jogar" a responsabilidade pela criação dos filhos para cima de sua companheira; ou agredi-la fisicamente; ou "usufruir" dos serviços de sexo pago, onde a mulher que está se prostituindo o faz justamente pelo processo de exclusão que sofreu pelo capitalismo;
  5. por último, citei Hegel, quando afirmou que "nada de grandioso se faz sem paixão". Se esta afirmação é válida para os projetos políticos, mais válido ainda é combinarmos esta paixão pela revolução com a paixão por nossas camaradas e, juntos, lutarmos apaixonadamente pela construção da nossa utopia.
E o debate está apenas começando...

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

PCdoB assume a CCJ da Câmara de Florianópolis

O PCdoB, representado pela vereadora Ângela Albino, elegeu a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Vereadores de Florianópolis. É a primeira vez que um vereador do partido assume tal função.

A importância da CCJ é óbvia: por ela passam todos os projetos de lei, para o processo de verificação quanto à legalidade da matéria. Por essa razão, o prefeito Dário Berger (ainda PSDB), empenhou-se para derrotar a candidatura de Ângela. Mas perdeu por 3 votos a 2.

Com certeza o mandato da camarada, que já tem uma grande visibilidade na cidade, adquirirá ainda mais. Ângela já disse que pretende estimular a prática de projetos de iniciativa popular, o que certamente colocará os movimentos sociais da capital em outro patamar.

Para ler a matéria no jornal A Notícia, clique aqui.

Lançamento da 1ª Conferência sobre a questão da Mulher em SC

Nesta sexta-feira, dia 9 de fevereiro, ocorre o lançamento em Santa Catarina da 1ª Conferência sobre a questão da Mulher. Será às 19h, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Florianópolis.

O evento é público, portanto aberto a todos e a todas que se interessem pela temática da luta emancipacionista da mulher.

A Conferência está mobilizando os comunistas de todo o país para os debates em torno do documento base do encontro e das diversas discuções e encaminhamentos da ação do PCdoB.

Na pauta da Conferência, além dos debates dos documentos aprovados pela Comissão Política Nacional do Comitê Central (CC) do PCdoB, está a constituição e eleição de um Fórum nacional permanente. As deliberações e encaminhamentos da Conferência precisam ser ratificadas pelo CC.

Todos estão convidados a participar da Conferência sobre a questão da mulher, sendo que a página do PCdoB na Internet dispõe de uma tribuna de debates - www.pcdob.org.br - com o objetivo de democratizar o processo de elaboração do coletivo partidário.

A Plenária Estadual da Conferência está prevista para ocorrer no dia 17 de março, em Florianópolis. Os comitês municipais do Partido estão agendando e mobilizando os militantes para as reuniões e plenárias da Conferência.

Você está convidado a se fazer presente e discutir conosco!

Bloco de Esquerda, governo Lula e Nildão


Nesta quinta-feira, dia 8 de fevereiro, participei, pela primeira vez, de uma reunião de instância do PCdoB. Foi a reunião do partido de Florianópolis, que teve como assuntos estes temas atualmente em discussão: a eleição da presidência da Câmara dos Deputados, a formação do Bloco de Esquerda e a saída do camarada Nildão do PCdoB.

Primeiramente, faziam mais de 6 anos que não participava de uma reunião de discussão política. As últimas que participei foram no final de 2000, ainda em Porto Alegre, no PSB. Depois fui para o RJ, onde optei por não me envolver com o PSB de Garotinho/Rosinha, e depois, quando retornei para Santa Catarina, não presenciei nenhuma reunião de qualidade política no Partido Socialista Brasileiro de SC.

Foi uma feliz surpresa. Além da presença de cerca de 45 camaradas, houve uma intensa participação e intervenções de qualidade. Presente também na reunião o presidente estadual do partido, Jucélio Paladini, e a nossa vereadora Ângela Albino. Fiquei quietinho, só ouvindo, afinal, estou chegando e é bom saber ouvir e conhecer as pessoas que já estão fazendo a história do partido aqui há muito mais tempo.

Também me surpreenderam as intervenções, que em sua totalidade saudaram a formação do Bloco de Esquerda PCdoB-PSB-PDT. A nova postura do partido, sintetizada na frase "nosso compromisso é com o governo Lula, e não com o PT", parece ter ido de encontro ao sentimento da militância. Foi como que um "grito de liberdade", que deixou o partido mais à vontade para exercer seu papel de crítico construtivo do governo.

Foi unânime o sentimento de que o PCdoB deve se apresentar para a sociedade, disputá-la, colocar a "cara na rua", demarcar com o petismo e apresentar sua visão socialista. Acredito que de fato este é o caminho para construir e avançar a luta pelo socialismo no Brasil. Ainda mais que o PT está deixando um vácuo no campo da esquerda, ao aproximar-se cada vez mais do centro e da direita.

Em relação ao camarada Nildão, que não tive a oportunidade de conhecer, mas trata-se de destacada e histórica liderança do partido, com 26 anos de militância, ex-vereador, ex-candidato a vice-prefeito, foi lamentada a sua saída, mas também salientado que foi uma opção dele, de foro íntimo, e que as portas do partido estarão abertas, sempre, para ele.

Mas muitos camaradas também fizeram a observação de que não é a primeira vez que um fato como este ocorre, e portanto as razões para isso estão, ainda, no interior do partido, cabendo aos militantes a tarefa de discutir, descobrir onde estão as origens destes problemas, para que possam ser evitados.

Resumindo: gostei muito da reunião, e tenho ainda mais convicção de que fiz a melhor opção política que poderia ter feito. Antes tarde do que nunca!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Bloco de esquerda pretende atuar junto também nas eleições

A acirrada disputa na base aliada, com a eleição do petista Arlindo Chinaglia (SP) presidente da Câmara, deixou como um de seus saldos a constituição de uma frente de esquerda que vem ocupando o espaço deixado pelo PT, que se aliou à centro-direita.

O bloco, uma idéia antiga, nasceu do conturbado processo eleitoral da Câmara, "mas veio para ficar", segundo seus integrantes. O objetivo é ganhar corpo para as eleições de 2008 e criar condições de lançar um nome próprio à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

Formado pelos "vizinhos" PSB, PDT e PCdoB, além de outras três legendas (PAN, PMN e PHS), o grupo se contrapõe ao projeto petista de absorver partidos "satélites" com afinidade ideológica. "Agora, criamos nosso próprio sistema solar", disse o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O PT conseguiu unir a esquerda, pelo menos a esquerda não-petista, em um bloco político poderoso", resumiu à Agência Reuters o deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

O bloco de esquerda conta com a representação de cinco governadores, 68 deputados e 8 senadores. Tem nas suas fileiras Ciro Gomes como um possível candidato à Presidência da República após o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na sociedade civil, controla a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a segunda maior central sindical do país, a Força Sindical. (esqueceram de citar a hegemonia desse bloco também na UBES e presença de 20 a 25% na direção da CUT)

A formação do grupo era um desejo antigo e remonta à eleição presidencial de 1989. Cogitado sempre em períodos eleitorais, acabou conquistando viabilidade após a divisão na base aliada com o lançamento de Chinaglia para o comando da Casa, contrapondo-se ao comunista Aldo Rebelo, derrotado em segundo turno por uma diferença de apenas 18 votos.

"Essa unidade talvez seja a coisa mais importante nessa brincadeira toda. A idéia é chegarmos juntos nas eleições de 2008 e 2010", contou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), vice-líder do bloco.

Chinaglia fez seu primeiro discurso como presidente da Câmara afirmando que as cizânias da eleição faziam parte do passado. Mas o PT, logo após o resultado do plenário, já calculava o tamanho do "problema".

"Eles vão ter que pedir licença", disse um importante político da frente de esquerda, muito amigo do presidente Lula, antevendo uma mudança nas relações entre o bloco e o PT.

O bloco foi criado originalmente como forma dos partidos assegurarem postos de destaque na mesa diretora da Casa e no comando de comissões permanentes (na verdade o bloco de esquerda já nasceu com intenções mais permanentes, indo muito além da questão da eleição da mesa). A reação de partidos de maior densidade numérica foi imediata. Com receio de perder cargos, PMDB, PT e mais seis partidos, incluindo as legendas protagonistas da crise do mensalão, uniram-se num superbloco de 273 deputados. A oposição formal fez o mesmo. Apesar do apoio a diferentes candidatos, PSDB e PFL juntaram-se ao PPS e constituíram uma terceira frente, esta com 153 parlamentares.

Neste dois casos, a aliança foi conjuntural e deve ser desfeita nos próximos dias. No entanto o bloco de esquerda, apostam seus integrantes, vai permanecer atuando em conjunto não só na Câmara mas nas próximas eleições. O peso simbólico do bloco é grande, dizem parlamentares do grupo, que consideram que sua formação demarcou fronteiras partidárias e empurrou o PT para partidos mais à direita.


Fonte: Imprensa do Portal PSB Nacional, com informações da Agência Reuters e alguns acréscimos meus

Bloco de esquerda pretende atuar junto também nas eleições

A acirrada disputa na base aliada, com a eleição do petista Arlindo Chinaglia (SP) presidente da Câmara, deixou como um de seus saldos a constituição de uma frente de esquerda que vem ocupando o espaço deixado pelo PT, que se aliou à centro-direita.

O bloco, uma idéia antiga, nasceu do conturbado processo eleitoral da Câmara, "mas veio para ficar", segundo seus integrantes. O objetivo é ganhar corpo para as eleições de 2008 e criar condições de lançar um nome próprio à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

Formado pelos "vizinhos" PSB, PDT e PCdoB, além de outras três legendas (PAN, PMN e PHS), o grupo se contrapõe ao projeto petista de absorver partidos "satélites" com afinidade ideológica. "Agora, criamos nosso próprio sistema solar", disse o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O PT conseguiu unir a esquerda, pelo menos a esquerda não-petista, em um bloco político poderoso", resumiu à Agência Reuters o deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

O bloco de esquerda conta com a representação de cinco governadores, 68 deputados e 8 senadores. Tem nas suas fileiras Ciro Gomes como um possível candidato à Presidência da República após o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na sociedade civil, controla a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a segunda maior central sindical do país, a Força Sindical. (esqueceram de citar a hegemonia desse bloco também na UBES e presença de 20 a 25% na direção da CUT)

A formação do grupo era um desejo antigo e remonta à eleição presidencial de 1989. Cogitado sempre em períodos eleitorais, acabou conquistando viabilidade após a divisão na base aliada com o lançamento de Chinaglia para o comando da Casa, contrapondo-se ao comunista Aldo Rebelo, derrotado em segundo turno por uma diferença de apenas 18 votos.

"Essa unidade talvez seja a coisa mais importante nessa brincadeira toda. A idéia é chegarmos juntos nas eleições de 2008 e 2010", contou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), vice-líder do bloco.

Chinaglia fez seu primeiro discurso como presidente da Câmara afirmando que as cizânias da eleição faziam parte do passado. Mas o PT, logo após o resultado do plenário, já calculava o tamanho do "problema".

"Eles vão ter que pedir licença", disse um importante político da frente de esquerda, muito amigo do presidente Lula, antevendo uma mudança nas relações entre o bloco e o PT.

O bloco foi criado originalmente como forma dos partidos assegurarem postos de destaque na mesa diretora da Casa e no comando de comissões permanentes (na verdade o bloco de esquerda já nasceu com intenções mais permanentes, indo muito além da questão da eleição da mesa). A reação de partidos de maior densidade numérica foi imediata. Com receio de perder cargos, PMDB, PT e mais seis partidos, incluindo as legendas protagonistas da crise do mensalão, uniram-se num superbloco de 273 deputados. A oposição formal fez o mesmo. Apesar do apoio a diferentes candidatos, PSDB e PFL juntaram-se ao PPS e constituíram uma terceira frente, esta com 153 parlamentares.

Neste dois casos, a aliança foi conjuntural e deve ser desfeita nos próximos dias. No entanto o bloco de esquerda, apostam seus integrantes, vai permanecer atuando em conjunto não só na Câmara mas nas próximas eleições. O peso simbólico do bloco é grande, dizem parlamentares do grupo, que consideram que sua formação demarcou fronteiras partidárias e empurrou o PT para partidos mais à direita.


Fonte: Imprensa do Portal PSB Nacional, com informações da Agência Reuters e alguns acréscimos meus

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

E o PT oPTou

Concluído o processo de disputa na Câmara Federal, e eleito o deputado Arlindo Chinaglia (agora é "Quinália"), o PT deixa claro qual é seu bloco central de alianças: o PMDB, PP, PR e PTB.

Durante todo este processo, o PT buscou isolar e constranger a candidatura de Aldo Rebelo, chegando ao ponto de propor que ele se retirasse da disputa. Como não conseguiu, partiu para uma ação mais ofensiva, prometendo sabe-se lá o que para garantir sua vitória.

É um indicativo grave e triste para o início deste segundo governo Lula. Mostra que o Partido dos Trabalhadores nada aprendeu nos últimos quatro anos. Pior, mostra quem são os parceiros eleitos pelo PT para conduzir o processo de mudanças que o Brasil precisa. A pergunta que me faço é se essa opção petista irá apontar no caminho das mudanças...

O saldo positivo é a formação do bloco PCdoB, PSB e PDT, comunistas, socialistas e trabalhistas. Correntes com história e enraizamento na sociedade brasileira. Certamente este bloco não foi formado apenas para esta disputa, e tem tudo para se constituir como o núcleo de esquerda da chamada base governista.

Seria ingenuidade imaginar que isso não afete as relações entre este bloco e o PT. Claro que os dirigentes, até por educação, irão negar e dizer que tudo segue como era antes. Mas sabemos que um copo, depois que se quebra, mesmo que seja novamente reconstruído, jamais voltará a ser o mesmo copo. E o nome do copo, na política, se chama confiança.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Os comunistas e a questão da mulher

O Partido Comunista do Brasil estará realizando, no final de março deste ano, sua 1ª Conferência Nacional sobre a questão da Mulher. Embora o PCdoB seja um partido que, em sua prática política, deixe claro que considera a problemática da mulher como um dos problemas centrais a ser resolvido no Brasil, e promova de fato a valorização da militância feminina (basta citar que quase metade da bancada de deputados federais é composta por mulheres), o assunto não havia ainda sido discutido de forma global e envolvendo todos os organismos do partido.

Nessa 1ª Conferência, um dos objetivos é justamente este: transformar a questão da mulher em uma questão de partido. Envolver toda a militância nesta discussão sobre a situação feminina no país e a elaboração de políticas partidárias.

Escrevi uma contribuição para esta Conferência, que pode ser lida no site do partido clicando aqui.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

O PT e o caminhão de mudanças

Dizem que aprendemos história para, entre outras coisas, não repetir os erros do passado. Mas cada vez mais parece que isto não é válido para a política. E quem tem nos revelado isso é o Partido dos Trabalhadores - o que é ainda mais paradoxal, uma vez que é um partido com muitos quadros excelentes, donos de longas trajetórias no campo da esquerda, militantes de antigas organização remanescentes da ditadura, dirigentes sindicais experimentados... mas que não aprenderam nem apreenderam nada com a história, inclusive as suas histórias.

A próxima disputa política em curso é a presidência da Câmara dos Deputados. Em um fato inédito na história política recente do Brasil (talvez de toda a história), um presidente encontra-se em condições de ser reconduzido ao cargo de forma praticamente unânime. O deputado Aldo Rebelo tem apoios tanto na base do governo, quanto nos partidos da oposição.

Os petistas, após os últimos dois anos turbulentos, deveriam estar contentes com este fato, e raciocinando: "nosso segundo governo está começando, conseguimos superar todos os fatos criados pelos aloprados, e agora podemos reeleger o camarada Aldo, um antigo e fiel aliado, que assumiu o 'abacaxi' chamado Severino - que surgiu graças a nós - e se mostrou um político com trânsito na Casa, conduzindo os processos de criação de CPIs e pedidos de cassação com habilidade. E agora até a oposição, o PFL e PSDB querem Aldo reeleito!"

Não é uma maravilha isto para o governo do presidente Lula? É claro que é! Qualquer pessoa com um pixel de bom senso vê isto! Mas os companheiros não pensam assim...

Esta oportunidade única, histórica e rara, está sendo jogada pela janela pelos deputados e pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores. O PT colocou na cabeça que quer a presidência da Câmara. E ponto final.

E mais uma vez mostra qual é a essência de sua relação com os "partidos aliados(?)": eles servem para ajudar a colocar a mudança no caminhão, deixar a casa arrumada, mas na hora de dirigir, só os petistas colocam a mão no volante... e o pior é que, depois, ainda fazem uma barberagem!

O PT e o caminhão de mudanças

Dizem que aprendemos história para, entre outras coisas, não repetir os erros do passado. Mas cada vez mais parece que isto não é válido para a política. E quem tem nos revelado isso é o Partido dos Trabalhadores - o que é ainda mais paradoxal, uma vez que é um partido com muitos quadros excelentes, donos de longas trajetórias no campo da esquerda, militantes de antigas organização remanescentes da ditadura, dirigentes sindicais experimentados... mas que não aprenderam nem apreenderam nada com a história, inclusive as suas histórias.

A próxima disputa política em curso é a presidência da Câmara dos Deputados. Em um fato inédito na história política recente do Brasil (talvez de toda a história), um presidente encontra-se em condições de ser reconduzido ao cargo de forma praticamente unânime. O deputado Aldo Rebelo tem apoios tanto na base do governo, quanto nos partidos da oposição.

Os petistas, após os últimos dois anos turbulentos, deveriam estar contentes com este fato, e raciocinando: "nosso segundo governo está começando, conseguimos superar todos os fatos criados pelos aloprados, e agora podemos reeleger o camarada Aldo, um antigo e fiel aliado, que assumiu o 'abacaxi' chamado Severino - que surgiu graças a nós - e se mostrou um político com trânsito na Casa, conduzindo os processos de criação de CPIs e pedidos de cassação com habilidade. E agora até a oposição quer Aldo reeleito!"

Não é uma maravilha isto para o governo do presidente Lula? É claro que é! Qualquer pessoa com um pixel de bom senso vê isto! Mas os companheiros não pensam assim...

Esta oportunidade única, histórica e rara, está sendo jogada pela janela pelos deputados e pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores. O PT colocou na cabeça que quer a presidência da Câmara. E ponto final.

E mais uma vez mostra qual é a essência de sua relação com os "partidos aliados(?)": eles servem para ajudar a colocar a mudança no caminhão, deixar a casa arrumada, mas na hora de dirigir, só os petistas colocam a mão no volante... e o pior é que, depois, ainda fazem uma barberagem!