sexta-feira, 31 de março de 2006

A cláusula de barreira e as barreiras programáticas


Nas eleições de 2006 entrará em vigor a "cláusula de barreira". Mas afinal, o que é essa tal cláusula? Por que ela causa tanto medo aos partidos que não são tão representativos? O que tem levado a direção nacional do PSB e as direções estaduais a enfatizar tanto a necessidade de superar os 5% dos votos, chegando ao ponto de alterar os Estatutos do Partido Socialista para incluir um artigo que possibilite destituir as seções estaduais que não atingirem esses 5% dos votos?

Bom, vamos conhecer primeiro o texto da Lei que trata do assunto. Diz o artigo 12 da Lei 9096/95 o seguinte: "O partido político funciona, nas Casas Legislativas, por intermédio de uma bancada, que deve constituir suas lideranças de acordo com o estatuto do partido, as disposições regimentais das respectivas Casas e as normas desta Lei." Diz o artigo seguinte, o 13: "Tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas para as quais tenha elegido representante, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputados obtenha o apoio de, no mínimo, cinco por cento dos votos apurados, não computados os brancos e os nulos, distribuídos em, pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de dois por cento do total de cada um deles."

Nos interessa ainda conhecer o artigo 41, que diz: "
O Tribunal Superior Eleitoral, dentro de cinco dias, a contar da data do depósito a que se refere o § 1º do artigo anterior, fará a respectiva distribuição aos órgãos nacionais dos partidos, obedecendo aos seguintes critérios:

I – um por cento do total do Fundo Partidário será destacado para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral;

II – noventa e nove por cento do total do Fundo Partidário serão distribuídos aos partidos que tenham preenchido as condições do art. 13, na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.


Continuando, lemos nos artigos 48 e 49 a questão de espaço nos meios de comunicação:


Art. 48. O partido registrado no Tribunal Superior Eleitoral que não atenda ao disposto no art. 13 tem assegurada a realização de um programa em cadeia nacional, em cada semestre, com a duração de dois minutos.


Art. 49. O partido que atenda ao disposto no art. 13 tem assegurado:

I – a realização de um programa, em cadeia nacional, e de um programa, em cadeia estadual, em cada semestre, com a duração de vinte minutos cada;

II – a utilização do tempo total de quarenta minutos, por semestre, para inserções de trinta segundos ou um minuto, nas redes nacionais, e de igual tempo nas emissoras estaduais.


A Lei é, com certeza, um empecilho e um retrocesso no campo democrático. Limitar a organização partidária não eliminará os partidos e siglas de aluguel. Aliás, os fatos nos mostram que os partidos que mais servem de sigla de aluguel são justamente os grandes. O PMDB é um bom exemplo disso. E justamente os partidos menores são os que têm demonstrado mais fidelidade a seus ideais programáticos, como bem demonstra o PCdoB.


Mas "dura lex sed lex" (a lei é dura, mas é a lei). Pode ser alterada, mas no momento está em vigor. É baseado nela que iremos para as eleições deste ano.


Se o PSB não superar a cláusula de barreira, o que irá ocorrer?


  1. Não terá bancadas nas Assembléias Legislativas e Congresso Nacional, ou seja, continuará tendo seus parlamentares, mas não terá direito a ter uma bancada;
  2. Receberá a sua quantia correspondente do Fundo Partidário, referente ao 1% que é dividido entre todos os partidos em partes iguais;
  3. Não receberá a sua parte correspondente do Fundo Partidário, referente aos 99% que é dividido proporcionalmente a cada partido;
  4. Terá direito a um programa em cadeia nacional por semestre, com a duração de dois minutos;
  5. Não terá direito a veicular dois programas por ano, um em cada semestre, com a duração de vinte minutos cada;
  6. Não poderá utilizar o tempo de 40 minutos por semestre, para inserções de trinta segundos ou um minuto, nas redes nacionais e estaduais de comunicação.

Podemos concluir que afirmar que o partido que não superar a cláusula de barreira será extinto é um exagero. Não atingir os 5% não extinguirá partido algum. Não influirá no funcionamento interno partidário. Não jogará nenhum partido na clandestinidade. Talvez o que possa ocorrer é uma dificuldade financeira para aqueles partidos que viciaram e se tornaram dependentes de recursos oficiais. Mas mesmo isto é uma possibilidade, pois em Santa Catarina, por exemplo, os recursos do fundo partidário para o PSB giravam em torno de 7 mil reais mensais, uma quantia absurdamente impossível de sustentar um trabalho político a nível estadual.

Se o partido desenvolver e aplicar uma política séria de finanças, ele se mantém independentemente dos recursos do fundo partidário. Afinal, temos 28 deputados federais, deputados estaduais, senadores, governadores, prefeitos, além da militância de base. Se não podemos contar com estes companheiros, então é questionável se devemos continuar existindo enquanto partido.

A questão de aparição na TV e nas rádios também afetará o partido, mas não do modo como muitos colocam. Afinal, sabemos que a maioria das pessoas não assiste aos programas partidários, ainda mais fora de períodos eleitorais. A visibilidade que um partido atinge não é resultado de sua aparição nos horários eleitorais. A visibilidade de um partido é resultado de sua atuação parlamentar, no Executivo, nos movimentos sociais. É resultado de uma política de propaganda partidária. É resultado do desenvolvimento de campanhas populares, nas ruas.

É importante o Partido Socialista superar a cláusula de barreira? Claro que é importante! Afinal, o mínimo que podemos esperar é ter pelo menos 5% do reconhecimento do eleitorado. Na verdade queremos muito mais, queremos eleger muitos deputados, prefeitos, governadores, pois ocupando espaços no Estado é que poderemos implementar nossas políticas públicas e parte de nosso programa partidário.

Mas o que não pode acontecer - e infelizmente parece estar acontecendo em alguns estados, e felizmente não é o caso de Santa Catarina - é em nome da superação da cláusula de barreira, romper-se as barreiras éticas, morais e programáticas. Não tem cabimento, por exemplo, o PSB aliar-se ao PSDB em São Paulo, como a imprensa tem noticiado. Ou apoiar Aécio Neves em Minas Gerais. Se estamos no governo Lula, como apoiar candidatos que são abertamente de oposição ao governo que fazemos parte?

Somente o oportunismo eleitoral poderia justificar uma postura desse tipo, de sermos situação no plano federal e coligar com a oposição nos estados. Tal comportamento seria uma traição ao programa partidário, e um ato de deslealdade com nosso aliado federal. Quem me conhece, sabe que tenho críticas ao governo Lula, e muitas. Mas se o PSB está no governo, então é necessário mantermos a coerência.

Por isso, só resta ao PSB adotar, para as próximas eleições, um destes dois caminhos: ou apoiamos Lula e indicamos o candidato a vice-presidente, ou lançamos nossa candidatura própria a presidente. São as únicas alternativas coerentes. Indicar o vice seria coerente, pois fazemos parte do governo e por isso nada mais justo do que reivindicar uma maior participação nas definições políticas. Ocupar a vice presidência se insere dentro desta lógica.

Lançar candidatura própria também tem sua coerência, pois se há verticalização, e em alguns estados temos nomes fortes na disputa, como no Amapá, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pernambuco e Ceará, a candidatura própria a presidente contribui no processo de fortalecimento destes candidatos do Partido Socialista.

Finalizando, gostaria de propor que nossa militância, nossos filiados, parlamentares, fossem chamados a dar sua opinião sobre esse importante momento da vida política nacional e da vida partidária. Isso poderia se dar na forma de realização de uma consulta plebiscitária aos filiados do Partido Socialista Brasileiro. Acredito que essa importante decisão precisa ser tomada pela ampla maioria do partido. Se for para acertar ou errar, que seja pelo menos um acerto ou erro coletivos.

Saudações socialistas,


Wladimir Crippa
1º Secretário PSB de Florianópolis - SC

sexta-feira, 24 de março de 2006

Nova sociedade com velho homem?

É possível construir uma nova sociedade com o velho homem?


O título deste texto já nos remete direto ao assunto que foi, algumas vezes, abordado pelos pensadores da esquerda mundial. Infelizmente, o assunto foi - e é ainda - pouco comentado, e raramente discutido. Talvez porque partamos todos da premissa (no meu entendimento, errada) de que todo militante de esquerda é uma boa pessoa.

Fomos ensinados na tradição de esquerda a pensar assim: se é de esquerda, é bom; se é de direita, é mau. Mas a realidade nos mostra que essas idéias não correspondem aos fatos. Há muitos, infelizmente inúmeros casos de referências da esquerda que cometeram grandes crimes e injustiças contra outros companheiros e mesmo contra aqueles que eles buscavam representar, ou seja, o povo. Não quero me referir aqui à Stálin, ao Sendero Luminoso, às FARC, à Trótsky e a repressão aos marinheiros em
Kronstadt, mas sim aos fatos que vemos no dia-a-dia da militância. Acredito que os pequenos gestos, as atitudes tomadas diariamente, refletem o verdadeiro caráter e a verdadeira ideologia daquele que a está praticando.

Não acredito que uma pessoa que, nas relações com seus companheiros de partido seja falso, minta, engane, quando estiver em uma posição partidária de direção ou em um posto de governo agirá de forma diferente; não creio que um marido que agrida sua esposa e filhos em casa, contribua de fato na construção de uma sociedade socialista; acho inconcebível, um absurdo, uma grande hipocrisia, um homem que se diga de esquerda e socialista pague uma garota de programa, que encontra-se nesta situação de ter que vender seu corpo justamente pelas mazelas do sistema econômico capitalista; assim como não há lógica em falar de emancipação do povo, e ao mesmo tempo não permitir que seus funcionários possam sequer se organizar em sindicatos e associações; falar em ética, em moral, e depois votar pela absolvição de deputado envolvido em corrupção; ou falar em sociedade democrática e não ouvir o que os filiados pensam, por exemplo, sobre apoiar a reeleição de Lula ou lançar candidato próprio a presidente.

Infelizmente, presenciamos estes fatos lamentáveis diariamente. Cometidos desde o filiado, o mais aguerrido militante, passando por nossos dirigentes e chegando até nossos parlamentares.

Che Guevara escreveu que no socialismo o homem deve desenvolver uma nova consciência, para poder avançar na construção da sociedade revolucionária. Che partia da compreensão de que não se pode chegar ao comunismo (sociedade sem classes sociais e sem desigualdades) apenas mediante o crescimento, o desenvolvimento e a nacionalização das forças produtivas. Ele afirmava que “para construir o comunismo, simultaneamente com a base material tem que se fazer o homem novo.”

E esta nova consciência, este novo homem, precisa ser construído já, hoje, agora! Não podemos esperar uma transformação da sociedade para que depois esta nova sociedade crie este novo homem. É o contrário! Precisamos contar com esta nova humanidade agora, para que possamos construir um novo mundo livre de todo preconceito, violência, imoralidade e falta de ética.

Ao final, você deve estar se perguntando: e você Wladimir, é assim? Eu respondo: não, infelizmente também cometo meus erros. Mas garanto a você que, após dar o primeiro passo, que é reconhecer que precisamos mudar primeiro para que o mundo mude, cada gesto que pratico é muito bem pensado antes de se tornar uma ação.


Wladimir Crippa

quinta-feira, 23 de março de 2006

Líder do PSB diz que o partido não deve fazer coligação para presidente da República

É a primeira manifestação de uma figura com visibilidade do PSB. E por isso adquire importância, ainda mais que vivemos um momento de grande indefinição no partido.

Acho inconcebível e, mais ainda, acho vergonhoso, o Partido Socialista ir para uma disputa presidencial com uma posição "em cima do muro". Sim, pois se o PSB não definir uma posição partidária a favor deste ou daquele candidato, ou definir esta posição de não ter um candidato oficial, presenciaremos alianças esdrúxulas por todo o país.

O PSB não pode se render ao casuísmo, ao eleitoralismo, ao fisiologismo, e adotar uma postura que permitirá coligar com gregos e troianos, tudo em nome da cláusula de barreira.

É necessário estabelecer uma "barreira" ética, moral, política e ideológica, para que o partido não perca seu norte, e condene seus princípios à morte.

Acredito que neste momento importante de nosso país, o Partido Socialista precisa ouvir seus filiados e militantes. Uma decisão como esta não pode ser tomada por uma dúzia de dirigentes, por mais capazes que estes sejam.

Não seria o caso de realizarmos um grande plebiscito para definir nossa posição?

Leia a declaração do deputado Paulo Baltazar aqui: www.psbnacional.org.br

terça-feira, 21 de março de 2006

Mulher que roubou manteiga tem liberdade negada. Enquanto isso, em Brasília...

Essa é uma daquelas notícias que você, ao ler, acha que é algum tipo de brincadeira. Infelizmente, não é. É o que ocorre no Brasil real, aquele onde vivem as pessoas de carne e osso, que trabalham e ganham uma miséria, ou estão desempregadas e se encontram abaixo da linha de desespero.

É uma vergonha o que presenciamos nos Três Poderes e seus Palácios. Juízes do Tribunal máximo do país a serviço de interesses do Palácio do Planalto; deputados absolvendo-se mutuamente; depoentes que são chamados a depor e não depõe.

Que país é este?

Que governo é este?

Que sonho é este que virou pesadelo?

Encerro esta postagem com a Carta à República, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

CARTA À REPÚBLICA
Milton Nascimento / Fernando Brant

Sim é verdade a vida é mais livre
O medo já não convive nas casas,
nos bares, nas ruas, com o povo daqui
E até dá pra pensar no futuro
E ver nossos filhos crescendo, sorrindo
Mas eu não posso esconder a amargura
Ao ver que o sonho anda pra trás
E a mentira voltou
Ou será mesmo que não nos deixara
A esperança que a gente carrega
É um sorvete em pleno sol

O que fizeram da nossa fé?
O que fizeram da nossa fé?
Eu briguei, apanhei, eu sofri, aprendi

Eu cantei, eu berrei, eu chorei, eu sorri
Eu saí pra sonhar meu país.
E foi tão bom não estava sozinho
A praça era a alegria sadia
O povo era senhor
E só uma voz numa só canção
E foi por ter posto a mão no futuro
Que no presente preciso ser duro
E eu não posso me acomodar
Quero um país melhor.

Precisa dizer mais alguma coisa?

Leia a notícia aqui:noticias.terra.com.br/b...

domingo, 19 de março de 2006

O Jogo Podre do Poder

Enquanto cidadão Brasileiro, fico indignado com as manobbras por baixo do pano do governo lula. Sou filiado ao PSB e tenho plena consciencia que estamos na base aliada a esse governo. Mas não da para não sentir nojo de certas atitudes e procedimentos que contrariam e muita o nosso estatuto e nossa ideologia. Tudo por lula se aliou ao que há de mais podre da política como Jose Vidigal Sarney e seu primo próximo Renan Collor Vidigal Calheiros. Um partido que prega a JUSTIÇA SOCIAL, que procura ser ético não pode aceitar jogadas desleais que sempre criticamos nos nossos adversários costumazes. A corrupção do governo lula e a forma como tenta alijar os seus adversários nos lembra os métodos dos que comandaram esse País na DITADURA. No último texto falavamos da atitude do congresso, mas a crise é institucional. O congresso absolvendo os mensaleiros. O judiciário com uma rotativa de liminares atendendo a interesses particulares e pessoais. O executivo e seus orgãos liberando sigilos de uns e preservando o de outros. Elevam as pessoas e rebaixam o projeto quando deveria ser ao contrario. Não queremos heróis, mas projetos vitoriosos. Quando do interesse, o governo do ex- trabalhador Lula quebra sem decisão judicial o sigilo e as movimentações bancarias de um caseiro. Quando do interesse o congresso absolve mensaleiros. Quando interesse, um juiz dá uma liminar para si mesmo e seusa amigos regionais do maranhão. Enquanto isso a esperança se prostitui por R$ 1,99 nos guetos nordestinos, ou sulinos. Não nos interessa se as prévias era ou não ilegais, o que nos interessa é que quando não puder ser imparcial, o juiz deve declinar da competencia por ética. Ao mau juiz, se formará o mau governador. Para os aliados tudo, para os inigos a força da Lei. Não por aí, que o PSB irá chegar a um Brasil com Justiça Social, pois isso começa de casa e o tal juiz anunciou que irá ser candidato pelo nosso PSB.

Marcelo de Queiroz
Ética e Cidadania -RJ

quinta-feira, 16 de março de 2006

Uma idéia, uma bandeira, um objetivo e muita disposição

Em tempos de loucura ou de circo não queremos ser palhaços. Há algum tempo nossa sociedade observa inerte a degradação própria que gera muito mais que desvios de conduta. Pouco a pouco nos acostumamos a ver os bandidos dos guetos trans formando-se em heróis da população das favelas. Também vimos o congresso de outrora ir definhando em gesto e atitudes que não convêm com a carreira de estadista.Esses dois processos não começaram ontem, vem tomando corpo aos poucos. No caso da violência teve político prometendo acabar em seis meses e outro dizendo conhecer tanto que poderia ser o chefe de polícia. No lado da política ações isoladas, digamos pequenos delitos começaram a aparecer. Fato isolado, logo se pronunciava o espírito corporativista dos políticos. No lado de nossa polícia, diziam que uma minoria não poderia manchar a maioria trabalhadora. Na semana passada, precisamente no dia internacional da mulher, eis que o congresso se supera ao livrar da punição dois mensaleiros um da situação e ou da oposição. O cumulo ficou por conta do direitista Robert Brant que conclamou os colegas a não ouvirem a opinião de que lhes delegou poderes, ou seja , o povo. Achamos que a mancha que paira sobre o governo Lula, o fato comprovado do mensalão, fica cada vez mais vivo, devido às essas manobras pouco éticas para defender interesses exclusos. Ao mesmo tempo no Rio de Janeiro outro cúmulo esta em andamento, o roubo das armas do exercito em um quartel. Chamar quem? Se os bandidos exercem nos nossos dias o poder paralelo aos desgovernantes atuais. Será que nada pode mudar...mudar não...mudar para melhor. E o nosso aguerrido Exercito, ultrajado e humilhado parte para a luta e resolve enfrentar o poder paralelo. Em dez dias e as armas são recuperadas...Com 1600 soldados o exercito visitou e patrulhou 9 favelas e realizou o que os 50000 homens da policia militar e cvil não conseguem fazer. Não nos cabe a resposta e sim olhar o exemplo e chegar a mesma conclusão que utilizou Bertold Brecht...:
"Nada é impossível de Mudar "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."

Quanto a Brasília, uma força tarefa com uma única arma, o voto, podem modificar o quadro negro que outrora se desenhou e que parece ter chegado ao fim do poço. Digamos que nossa atitude pode dar lição em Brant e outros mensaleiros. A sociedade não pode mais aceitar que os políticos sejam altistas e utilizem o Carimbão com o próprio povo. Podemos sim mudar e para isso basta a idéia de exercer a cidadania, empunhar a bandeira da ética e ter como objetivo a depuração do parlamento brasileiro e arregaçar as mangas e com muita disposição irmos a luta!
Saudações Socialistas
Marcelo de Queiroz - RJ

quinta-feira, 9 de março de 2006

Carimbão carimba absolvição de Luisinho

8 de março de 2006. Dia Internacional da Mulher. Uma data importantíssima, que merece ser comemorada e vivida a cada dia do ano. Mas o 8 de março de 2006 não foi apenas o Dia Internacional da Mulher. Foi também o dia nacional da carimbada.

Neste dia, a Câmara dos Deputados julgou dois processos de cassação. Os processos dos deputados Roberto Brandt, do PFL de MG, e do Professor Luisinho, do PT paulista.

Na hora das defesas, o cheiro de pizza no ar. Deputado do PFL defendendo o deputado petista... deputado petista defendendo o PFL... o mundo ficou doido?

Pra completar esse samba do crioulo doido, entra sem pedir licença e sem ser convidado o deputado do PSB Givaldo Carimbão. Entra e sai em ardorosa defesa de Luisinho.

Não precisava Carimbão! Se você queria "ir dormir tranquilo", como disse, que votasse a favor do Luisinho, mas ficasse quieto.

Não, Carimbão queria mais. E assim o fez, envergonhando o Partido Socialista Brasileiro. Olha, no final das contas até que o Carimbão me deixou feliz. Sim, pois fiquei feliz em ver que muitos militantes do PSB se indignaram com esse fato, e expressaram sua indignação através da comunidade do PSB no Orkut.

Fiquei feliz também em ver, pasmem, que há socialistas no PSB! Socialistas de verdade! Gente que quer transformar o mundo! Gente que não pensa em governar por governar, sem sentido, sem cumprir programa, como Lula está fazendo.

Eu acredito que, apesar das dificuldades, das lutas internas que precisam ser travadas no interior do PSB, existe a possibilidade de construção de um campo de esquerda, democrático e de perfil radicalmente socialista dentro do PSB.

Vejo companheiros com este compromisso no Rio Grande do Sul, em muitas cidades de Santa Catarina, incluindo a capital Florianópolis, no Ceará, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, onde muitos se indignaram também com a possibilidade de Inocêncio ser vice de Eduardo Campos, em São Paulo, em Goiás, em Salvador, enfim, em muitos estados há uma resistência socialista.

Não vamos nos dispersar companheiros! Vamos construir este campo! Vamos usar a internet como ferramenta de organização, articulação, debate e intervenção no interior do Partido Socialista.saudações socialistas e libertárias!

Para acessar a comunidade do PSB no Orkut e ler as manifestações indignadas, clique aqui: www.orkut.com/CommMsgs....

segunda-feira, 6 de março de 2006

Fim da verticalização: e agora PSB?

O Tribunal Superior Eleitoral, respondendo à consulta do Partido Social Liberal - PSL , entendeu que a verticalização, isto é, a norma que determina que as alianças feitas a nível nacional sejam repetidas nos estados, continua válida para as próximas eleições.

A polêmica ainda persiste, pois o Congresso deverá promulgar nos próximos dias a Emenda Constitucional que altera esta norma. Mas certamente a confusão política e jurídica irá continuar.

O Partido Socialista Brasileiro tem reunião de sua Executiva Nacional nesta semana, para definir a sua participação nas próximas eleições. Fica claro pelo comportamente da direção nacional que o fim da verticalização interessava ao PSB, pois aí seria possível lançar nossos candidatos nos Estados onde temos mais chances de eleger, como Eduardo Campos em Pernambuco, Capiberibe no Amapá, Wilma de Farias no Rio Grande do Norte, e ao mesmo tempo apoiar Lula a nível nacional.

Mas com o fim da verticalização, se quisermos lançar nossos candidatos aos governos estaduais, só restam dois caminhos: ou lançamos um candidato do PSB a presidente, ou então apoiamos Lula e contamos com a boa vontade dos companheiros petistas em apoiar nossos candidatos em alguns estados.

Como se vê, a situação não ficou fácil para o PSB. E também complicou-se para o PT, que com o fim da verticalização verá a saída de partidos que poderiam a nível nacional ser aliados de uma candidatura Lula. O caso mais notório é o do PMDB, que agora deverá mesmo lançar candidato próprio. Mas há outros problemas práticos que surgirão. Vejamos o caso do PRB, partido do vice-presidente José Alencar e do bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal.

O PRB tende a apoiar Lula, e inclusive José Alencar, apesar de ter criticado Lula durante mais da metade do mandato, sonha em ser novamente o vice. Sem a verticalização, esse apoio poderia ocorrer. Mas com a verticalização, temos um quadro onde Crivella pode ser candidato a Governador do Rio de Janeiro. Mas o PT também deverá ter candidato no RJ. Como equacionar isso?

Em Santa Catarina o PSB estava costurando uma aliança com o PDT, PTB, PCdoB, PV, PL, PRB e PMN. Com a verticalização, esta aliança vai para o espaço.

Como vemos, o jogo já começou e ainda nem sabemos ao certo quais serão as regras.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Carta Compromisso

No final de 2005, no meio da crise política, o Presidente Lula recebe os presidentes dos partidos de esquerda que fazem parte da base de apoio de seu governo. O momento era de preocupação e visava sinalizar a coesão dos aliados históricos do PT. O presidente em exercício do PT, Tarso Genro sinaliza com uma nova Carta ao Povo Brasileiro. Nessa segunda versão estaria incluído os ajustes que os aliados históricos do PT gostariam para seguir junto com o governo, desde que esse voltasse realmente para a esquerda e governasse para os menos favorecidos.

Se no primeiro mandato LULA precisava externar que a economia não sofreria rupturas e que os contratos seriam respeitados, hoje precisa rever o rumo do governo, em direção aos movimentos sociais que sempre estiveram lado a lado com o PT. Os militantes estão desiludidos com o governo, cujo maior merito tem sido a continuação de uma política neoliberal que só aumenta as desigualdades sociais.

Ocorre que agora, passado o pior momento da crise, ele desautoriza a edição de uma nova carta ao povo brasileiro nos moldes tirados na reunião com os presidentes do PT, PSB e PC do B.

A leitura que faço dessa noticia retirada do site conesulnews é que embalado pelos bons ventos das novas pesquisas. LULA volta a subir no salto alto e achar que todos vão se dobrar a seu projeto de reeleição. Portanto ele não vai precisar fazer concessões a ninguém.

Essa necessidade era daquela epoca em que os ditos partidos de esquerda estavam quase desembarcando de seu governo, agora o momento é outro e ele pode manipular os aliados históricos pois os mesmos terão que apoia-lo. O compromisso com o povo se fará pelo discursso que o seu governo é o melhor de todos os tempos e de NUNCA, NUNCA, nenhum governante fez tanto pelo povo. Os banqueiros agradecem tamanha benevolencia de nosso Presidente, pois esse é o unico povo que pode se encaixar nesse discursso presidencial.

Hoje falta compromisso político com o povo, falta um projeto de nação.

Marcelo de Queiroz
Ética e Cidadania - RJ