Na noite de sexta-feira, dia 9 de fevereiro, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Florianópolis, o Partido Comunista do Brasil lançou o processo de discussão de sua 1ª Conferência sobre a questão da Mulher.
A Conferência Nacional ocorrerá no final de março, mas antes ocorrerão as etapas municipais e estaduais, que elegerão delegadas e delegados ao encontro nacional.
Participei do lançamento, e na ocasião fiz uma intervenção ressaltando os seguintes pontos:
- o acerto do PCdoB em tornar esta discussão uma questão de partido. Na tradição da esquerda, as mulheres sempre se reuniram e discutiram de forma separada a problemática feminista. Ao optar por realizar este debate pelo conjunto do partido, a questão envolverá obrigatoriamente todo o coletivo;
- a necessidade de trazer as mulheres para a luta pelo socialismo se impõem, não apenas porque queremos estar lutando ao lado delas pelas transformações sociais, mas também porque do ponto de vista numérico (as mulheres são maioria no país) e pela sua participação na economia do Brasil, a participação delas no processo revolucionário é estratégica;
- afirmei que é possível ocorrer um processo revolucionário socialista sem as mulheres. Afirmo isso porque, na história das revoluções, de um modo geral a mulher não esteve à frente. Vide os casos da China, de Cuba, Vietnam, Angola, Moçambique, e mesmo na Rússia. Houveram lideranças mulheres? Sim. Mas numa desproporção descomunal em relação aos homens. Agora, seria um processo ideal? Claro que não! Acredito que, se durante o processo não se garante a participação das mulheres, que garantias teremos que após sua vitória isto ocorrerá?
- é necessário combater firmemente o machismo entre os militantes da esquerda. Não é admissível um militante comunista "jogar" a responsabilidade pela criação dos filhos para cima de sua companheira; ou agredi-la fisicamente; ou "usufruir" dos serviços de sexo pago, onde a mulher que está se prostituindo o faz justamente pelo processo de exclusão que sofreu pelo capitalismo;
- por último, citei Hegel, quando afirmou que "nada de grandioso se faz sem paixão". Se esta afirmação é válida para os projetos políticos, mais válido ainda é combinarmos esta paixão pela revolução com a paixão por nossas camaradas e, juntos, lutarmos apaixonadamente pela construção da nossa utopia.
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